Olhos fechados
Vive, sim?
Na claridade do dia assimétrico,
Batia solarengo os raios convalescentes.
Que no ardor da impaciência,
E na paixão que o absorveu,
Olhava as imagens com uma beleza fugaz,
E de tão Decentes,
Suspirava cada molécula de oxigénio,
E num gesto épico, num descompasso exagerado,
Sentia aquela bomba, aquele cavalgar, aquele zumbido percussor,
E os sons, o vislumbre do momento exacto, o condutor de toda a história universal,
Tudo.
Porque um dia tem de ser vivido com intensidade.
São coisas que saem
a ínfima parte do que construí,
Sou da terra que me criou,
Vim de longe para aqui.
Escavo sonhos, sem unhas nas mãos,
onde não deixo marcas literais,
E fico na sombra das estrelas,
E tudo fazia sentido diferenciais
E quem se atrevera, de olhar malicioso,
virar com a cabeça o mundo do avesso,
Sentado na ombreira, clareando,
Um chilrear bicudo dos ponteiros, sem retrocesso.
Um nervosismo inquietante,
suga-me a alma de encontro ao pensamento,
E o tempo que não corre, e o tempo que não anda e o tempo que não rasteja,
É tempo perdido aqui estando, sussurrando-me em estremecimento.
Encolho-me, e chego perto,
do teu ouvido latejante,
E que docemente levantas a cabeça,
E sorrio descansado, apraz pelo teu feliz semblante.
A vida que toca a todos
Se te dizem em toda a parte, viste o que acabei de dizer, Vida.
Não deixem morrer o passado
Insipiência
Siga
Imutável
antes fosse só no olhar,
que da alma também,
porque não são peremptórios só os resistentes,
que todos os outros que nunca ousaram sonhar.
Estranho as viagens nas noites vadias,
em que nem os passos consigo ouvir,
e quem enaltece tanto o que não vê,
amedronta-se no escuro das voltas que não dá,
e põe-se nervosamente a sorrir.
E num esgar e tremer de dedos,
vejo-te sóbria, mãos de manteiga,
e um beijo que rompe o silêncio ao luar,
um gesto que rompe preconceitos,
cais nos meus braços, velho rio,
que aos meus olhos, encantas,
e aos outros que não quero saber, nem escutar,
foste e és algo que permanece imutável.
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Um palavrão da virtude
E nem todos os que o dizem o são,
E são indefensáveis os piores remates,
Como a crise de valores às doenças do coração.
E quem se atreveu a excomungar,
Ditaduras e leis, democráticas ou não,
Foi posto nas ruas da amargura,
Por ambicionarem serem o que já são.
Miseráveis são todos aqueles,
Que as pessoas dirão,
E muitas destas que o dizem,
Como que enganadas no que fazem, nunca o serão.
E quem acha que me sinto bem na vida,
Acarretam com a realidade que sonharão,
E mesmo que nunca faça nada,
O primeiro mundo que acabar,os outros sorrirão.
A simplicidade existe, e foi sempre a mesma,
Rotineiras clássicas ao tempo dos que virão,
Fazem-se certas, certas coisas,
Como quem faz a birra, e lhe pegam pela mão.
Sou um feliz que aqui ando,
Não digo que nunca disse um palavrão,
Mas se esta "merda" toda não fosse verdade,
O mundo, meus amigos, não tinha emoção.
Vidas
Nem os momentos que as concretiza,
Só lhes falta a paciência e tempo,
Que algo que possa sair, realiza.
Sinto esse peso morto cair sobre o chão,
Oiço o ribombar e nem volto para olhar,
Foi o adeus profundo, nem era eu,
Foi com o vento a sussurrar.
E nestas horas lentas, concentração imediata,
Falam as pedras e os muros e as calçadas que tanto são pisadas,
E rir da realidade que vivem já é penoso,
Que viver no país, idolatradas.
E neste passeio de heroísmo e simplicidade,
Viveu os anos que quis, e que a nossa imaginação pudesse inventar,
Fui eu quem a pôs à prova,
A minha vida? Ninguém a pode tirar.
Mãe
Obrigado Mãe
AMO-TE MÃE!
Não é impossível
Se as minhas palavras ajudarem...
300º
Pensar faz assim tão mal?
Tornou-se um hábito que habita em mim permanecer intacto olhando quem passa por cima de qualquer ombro. Não se trataria de observar os costumes do tanto que estou acostumado, mas o tempo que se dá por incerto leva-me a tentar ver as coisas com olhos de lince na fina linha do horizonte, perdido entre a escuridão e o fim de tarde, já triste por si só.
Sou assim tão diferente?
Sei bem o que fiz à/na minha vida, e não me questiono nem pergunto se me arrependo/arrependi. For what? Foi tudo uma noção concreta do que pude ter, pensar ou ser, e tudo teve o seu travão e os seus devaneios sem nunca ter estado num estado caótico que não pudesse resolvê-lo. Residiu um erro, e hoje ainda a remediá-lo com pensos na fantasia de que as coisas que ficam, ficam e ponto final.
A minha personalidade é obviamente tão bem demonstrável?
São ataques de pânico como um miúdo os tem quando vê fantasmas no ar, que ficam na cabeça como um punhal intensamente espetado e adornado com uma dor prensável e incapaz de se suster, tudo porque o risco e a oportunidade são pouco vulgares na vontade de as ter e acaba-se assim, para um sempre que nem sei, um momento ainda possível mas irrepreensível.
"Verdades Inocentes" completa a realização do 300º texto com a marca de 1696 comentários. Obrigado!