Quanto mais sinto que as coisas são como são, mais noto que me surpreendem cada vez mais. Não desisti de querer ver as estrelas como nunca as pude ver, e não desliguei para sempre essa paixão soberba que me preencheu os últimos tempos como se me alimentasse a vida e precisasse disso para continuar aqui onde vou vendo o acontecer com o mesmo entusiasmo de finais felizes e sorrisos de criança. Eu sempre quis ficar porque não gosto de me mentir, não gosto de virar páginas das histórias como se fossem fáceis e sem sentido nenhum Gosto de saber que é verdade, enorme, transparente e que era isto que queria para mim, para me completar. Os dias contam-se pela luz que vemos no céu e não encurtamos 24 horas numas 8 ou 9. Vivamos, vivamos, vivamos, porque se eu saio lá para fora e não tenho noção do que faço, não vale a pena fazê-lo mais. E na verdade, não páro de viver. Obrigado por seres assim.L
Peguei muitas vezes na vontade de recriar um mundo já perdido. Não vejo a foz desse rio seco e tão pouco vestígios do que se andou a passar por aqui. Vagueio com os olhos de uma tristeza inócua e surpreendo-me com a falta de abundância nesta natureza tão morta. Vi na televisão e achava que era tudo fantasia, ouvi relatos sérios na rádio e ri-me da piada que soava. É tão verdade, é desastroso. Já lá vai o tempo em que a criança que eu era, era de outra geração, noutros tempos. Não via as coisas que são com os mesmos olhos com que vejo, não sentia nem desmentia com a mesma facilidade. Não é o mundo que quis conhecer um dia, não é a mentira que dói menos. Por isso quero ir para a lua viver o amor que tenho, que trago e respiro diariamente. A ti, que estamos mal neste mundo de gente doida, de manias que fantasiam o insuportável e desafiam o impossível, é a ti que quero levar comigo para bem longe daqui.