Corria a jorros esse dilúvio,
apontando na objectiva,
a luz que faltou, e a água desabou,
nenhum amor morre de água excessiva.
Correm sobre carris,
os traços de um destino minado,
o resto cansa, não as vontades,
não o sabor e os olhares admirados.
Dilui-se num dia normal,
abrem-se portas com o vento a soprar,
e o céu que chora, abraça-me,
"um dia vais lá chegar".
E a cama que me deito,
conversas de escombros, e companhias incertas,
se abrir a janela e libertar um suspiro,
encontro ruas por vezes desertas.
Existe em mim esses dois olhos verdes que brilham mesmo quando fecham os teus. E esqueço-me que é apenas um ideal sentir que em cada banco que me sento nem sempre é para descansar mas para esperar por ti quando nem sei quem és nem te deixas ver. É a esperança minha querida. É a luta de quem se esfrega na merda em busca do conforto e do melhor que a vida tem para dar, porque não quero viver de luxos mas nem oito nem oitenta. E eu vivo no risco e no limiar da decência, e as oportunidades não são vagas que se arranjam porque limitam-se ao seu essencial. E tudo simplifica organizado, e que cabeça aguenta com uma terceira guerra mundial? Na minha despoletei guerras civis sem dar conta, tudo à custa dessa forma nada preconceituosa de esperar, esperar, esperar que alguma bomba caísse do céu. A bomba eras tu, mas ainda não sei o que é uma guerra.
Sento-me de frente para ti, deito flectido o meu braço direito e seguro o baixo queixo com a mão semi-aberta e ponho-me a olhar para ti. Tu vais falando e vou silenciando as palavras dentro de mim: só vejo os lábios mexerem - pintaste-os hoje? Estão muito bonitos - e vou subindo os olhos de encontro aos teus. Sabes, nunca tive sorte com raparigas e ouvir-te é ocupar-me com uma que eu sei que pode ser minha. Sim, sim, ocupo-me da luta de apenas estar para um dia ter. O que sinto a olhar para ti? Pois bem, o que não sentia há imenso tempo e talvez o suficiente para achar que estava mesmo a precisar disto. "Desculpa, estou a ser chata!!" - Não, não, desculpa, apenas perco-me facilmente quando gosto e entro nesse mundo entusiástico da paixão e da utopia. Sou feito de penas, mas pena tenho pouco e no entanto desfaço-te em elogios e numa lágrima de alegria.Ai, como se a vida fosse qualquer coisa de rica e importante, sonhadora e idealista. Como se fosses tu e eu, porém, não houvesse a luta por acontecer. Há outro sentido no que vejo e não consigo esquecer: esse sorriso, esses olhos, que me deixam pregado ao chão sem nada poder fazer. Como consegues? Como não te posso tocar assim, como te toco nos sonhos? 

Quem és se não existes?
As voltas que a vida dá, são as mesmas que dei na minha cabeça. Guardei(-te) um sorriso maior por tudo o que (me) tens feito sentir cá dentro. Existem amizades que não são, outras que julgamos ser, e outras até que podiam ser mais, e em nós as contas batem sempre certo e tudo acontece na medida do possível e do suficiente, para que nada sobre nem nada seja despejado na rua para que todos pisem. Nem (te) desejo nenhum mal quando (te) guardo a sete chaves aqui dentro, bem dentro do que é tão importante para mim. E o que nos une, o que não farta, custa-nos ficar a ver e esperar que a vida acabe de dar as suas voltas e me traga ao mundo que me ensina todos os dias, mais que a (tua) alma para a poder guardar também. As imagens que me marcam são de um sorriso que não conheço em mais lado nenhum, que não me deixa muitas vezes olhar(-te) mais porque me fixa constantemente nesse sol, os teus olhos, nesse quente, sentimento, nesse respirar, o meu pulmão. Existem ainda as amizades que corroem a podridão que temos dentro de nós, e nos deixam melhores e na verdade somos melhores.
Nem sempre tenho de escrever para a vida, muitas vezes de ninguém. É para ti joana, que senti hoje que o tinha de o fazer.

obrigado<3
É tudo o que sinto,
é tudo o que sou.

E não se evita uma pedra,
se nos faz cair,
só beber é para esquecer,
e faz sorrir.

É dia de santa desilusão,
tudo passa, mais que uma vez,
é uma página arrancada à força,
perdi hoje a lucidez.

É apenas tudo o que sinto,
é apenas tudo o que sou.
É como uma nuvem negra que vai afugentando essa luz duradoura do sol. Antes punha-me na ombreira da porta com o ar descontraído olhando esse sol emanando esse calor invernal que tanta falta me fazia nos dias mais frios...e tristes. Havia momentos que me congelavam toda a maneira de agir e pensar perante a vida, como uma terapia de choque sem dizer nada a ninguém, como se depressivamente olhasse os meus olhos com desespero de causa, sem noção da realidade ou sentido permanente. E tudo acontecia por acaso, à completa desorientação nas horas mais erradas como se achasse que havia horas certas para haver significados para alguma coisa. E as nuvens negras eram companhias fiéis da má disposição matinal e quando vinham com a chuva atrás era dia de santa cama e de momentos para recordar. O momentâneo nunca me foi fiel, não sei o que é que não falo do que não vivo, do que não sinto, do que não sou. Mas gostava de sair da ombreira da porta, de não fluir tanta vez na preguiça da cama, mas sobretudo arrancar a cabeça num click e desafiá-la na minha presumível maior luta da vida. Mas as conversas no escuro muitas vezes foram o pão de cada dia. O silêncio chegou a ser arrebatador, e respondeu-me muito ao que poderia pensar e até chegou a ser tudo, no entanto não é vazio nem é nada. Hoje esteve comigo e disse-me olá.
Se imagino em casa entrar,
e esquecer-me de lembrar,
que se me vou, volto para acabar,
o que tanto me deu trabalho idealizar,
que esta dor de pensar,
como Pessoa dizia, e punha-me a imaginar,
como seria viver a vida, e descomplicar,
que as ruas onde moro, porque adoro morar,
entre ruas desconhecidas e deixar-me ilucidar,
que as palavras que partilho, é simplesmente tentar,
vislumbrar-me por dentro e sonhar,
que um dia vou-me sentar,
olhar,
escutar,
e continuar a amar.

O que vejo no amor,
é como os vêem numa flor,
recheada de brilho, recheada de cor,
se a cortar, como dilaceram a dor,
é desrespeitar quem nos ensina como um professor,
é sermos um mentor,
de todas as ideias, dos lugares onde for,
de todas as verdades, aonde as vou pôr?
que a vida sem mim, o maior horror,
que o sentimento é um senhor,
que me provoca este ardor,
esta sede de querer, incolor,
eu sou o melhor,
e senti-lo-ei como um tambor,
este coração que viver do amor.
Imagino-me a parar o tempo,
a ocupar-me dos seus ponteiros,
para baixo não podia olhar, e o mar,
ao longe avistava veleiros.

Senti a brisa, escorria-me o suor do medo,
de cair, uma vez para sempre, e não querer,
são lutas, pequeninas, crescem com a idade,
são a valer.

Vou descendo nas divisões da casa,
vendo descer esses ponteiros,
tou a salvo, a vida é uma metamorfose,
ou somos últimos ou...primeiros.

Acordo na ânsia de nunca ter dormido. Sou a própria cidade que nunca dorme, alimentado por uma luz que o tempo ajuda a não deixar no mesmo sitio. Imagino-me muitas vezes nessa vontade seca de encantar-me com palavras dóceis como se fosse a parte sincera da maior mentira, engano, falácia, pecaminosa por vezes onde não encontro mais que um vasto pano negro...e chega a ser tudo o que se pode ser. É brincar às escondidas connosco próprios e engraçar com o facto de gostarmos disso, e a termos regras, seria sempre tão diferente mas limitariam a liberdade do acontecer, da natureza e da maneira como amamos o intenso, o fascinante, o vício e a incapacidade de controlar a súbita devoção vespertina do prazer. Agarro a fotografia a preto-e-branco que guardara para me lembrar de tudo, solto um suspiro e lanço-a para a fogueira. Não quero entregar a alma ao que não vejo sem ser em mim. Vida.
Encontro em cada bolso meu pedaços de papéis e de afectos que guardo como memórias futuras, porque uma memória é de agora para trás e de tudo o que não se possa viver exactamente da mesma maneira com a mesma vontade e sensatez de sempre. E quando uma rajada desse vento maldito as leva, muitas vezes chego a deixar-me pertencer ao destino que me leva também ao caminho certo, surdo da derrota precoce, cego de paixão por viver - e é isso que me une nesses dias de maior angústia. E as horas deixam-se ir também que o tempo é vento de três ponteiros, e os números a estúpida hipótese do triunfo e da desilusão como um "sim" ou "não" de desgosto da espera quando menos dá vontade de esperar. E quando esse amor perdido são letras a desaparecerem nesse socorro inesperado, daria tudo para desapertar esse laço de gravata que se apodera do pescoço como se o amor necessitasse de protocolos especiais para fazer acontecer - desilude-se mais facilmente com tanto do que com tão pouco - e os olhares perdem-se inactos no vazio pressuposto e irreal. Onde, quando e porquê? Soa muitas vezes a sons, fragrâncias e movimentos. Ninguém pensa nas segundas hipóteses ou segundas oportunidades, é preciso morrer uma vez para o mundo para ser diferente, para se ser outro. Integridade como em tudo na vida é justa quando diz-se que é.



Uma flor, amarela ou verde,

chama sempre a atenção,
e esse coração, quem nem amarelo nem verde,
nem é esperança, e uns tens e outros não.
Não chega olhar com os olhos admirados,
e ver beleza onde é desconhecida,
e se as ruas suspiram, não tardam,
em morrerem sós e despidas.
A distância entre tu e eu,
flor que me espanta e me seduz,
é a luz que se acende,
é apenas luz.
O ar (ir)respira-se,
e arde-se o peito,
é tudo o que se sente,
é um rio e o seu leito.
As flores murcham e há quem as queira dar de beber,
se não pode nem deve, não se acredita,
é um amor que se guarda, e a lua arrefece,
é um sentimento que apenas levita.
(,)
Existem datas na vida que não podemos esquecer. E as pessoas, as memórias e todas as palavras que nos trazem a vida que se esconde por trás: Eu sou assim. E não as palavras certas para o tanto que aprendi e julguei a reconhecer em mim essa vitória nos jogos mais pressionantes, mais arrepiantes como um hino que se canta na rouquidão desta voz mais grave. E quem me ouve e sempre me ouviu, que me sente e sempre me sentiu, sabe o que sou e sempre fui ao longo destes vinte anos de uma vida louca a um ritmo frenético. O que sinto com esta idade, perguntam-me? Que os outros dezanove já foram e por lá ficaram no passado mais incrível que se pode ter. Vi passar nas minhas mãos das situações mais bizarras às mais desesperantes, das pessoas mais incríveis às pessoas mais odiadas, das sonhos mais desejosos aos mais agoniantes e não me arrependo de nada e não deixo para hoje o passado que passou. Orgulho-me de ter sido um pilar para muita gente, de ter feito coisas realmente inacreditáveis, de ter estado em cima de qualquer acontecimento e experimentado diversas situações que me fez sentir bem. Orgulho-me das pessoas que privaram comigo os anos que antecederam, das pessoas que me sentiram e escutaram, das pessoas que estiveram e aprenderam comigo, mas também aprendi muito e contínuo a fazê-lo hoje. Orgulho-me de tantos dias que passei e do que fiz para os passar e muito mais, orgulho-me da vontade e da força que levei dentro do peito para qualquer momento que se avizinhasse. Orgulho também das pessoas que também perdi e que não podem jamais ler, fisicamente, o que aqui escrevo. Orgulho-me de todas as letras que escrevi e de todas as cartas que mandei, de todos os postais, poemas e prosas rarefeitas. Orgulho-me da originalidade e do meu crescimento, da minha humanidade e da minha humildade. Orgulho-me dos aplausos do teatro, do piano, da televisão e da rádio. Orgulho-me das mensagens e das imagens que guardo na memória. Orgulho-me das lágrimas, da alma em contínua reconstrução e nunca me deixou falhar. Orgulho-me das viagens ao mundo pequenino que vivo e do que gastei. Orgulho-me de ti que me lês todos os dias e do tanto que fomos a vida inteira. Enfim, orgulho-me até dos maus momentos, dos momentos arrepiantes e dos momentos difíceis que de outra maneira eu não saberia aprender e mudar o que de mal eu tenho. São 20 anos de um discurso nada em vão. Vinte anos de memórias, de imagens, de sons, de palpitações, de um bater ora suave ora apressado de um coração que nunca deixou de bater, nunca me deixou, onde guardo tudo, tudo o que me fez estar aqui a dar a volta a tudo o que passei e a derramar a súbita lágrima da alegria, da esperança, e da vontade de um mundo e futuro melhores. A todos os incansáveis e inesquecíveis leitores do blogue que alguns privei por breves momentos longe daqui ao longo dos anos, à família que me fez estar no mundo e nunca me deixou também, às diversas turmas que alguns mantenho ainda hoje, exactamente hoje laços incontornáveis de um amor eficaz e imperdível, a quem amei e me amou, a quem nunca esqueci, ao meu sobrinho e a quem nos últimos tempos tem merecido uma força maior que a normal, agradeço-vos a paciência e tudo, pela vida. Obrigado.
Existir não chega.
Como se as palavras fossem o medo,
e o frio dos momentos sós,
e não houvesse um enredo,
nem força para desapertar esses nós.

Existir não chega.
Nem a vontade,
de querer escrever sensibilidade,
a utopia é uma lua partida,
é uma noite perdida.

Existir não chega.
Como se agarrasses a força com as mãos,
e nem força houvesse e soltasses num uivo seco,
a esperança morta num beco,
sonhos, sãos.

Existir não chega.
E perder tudo na infinidade de pouca coisa,
não é porcelana, não é vidro, é loiça,
e partir como partem os saudosos,
e os remorsos.

Existir não chega.
Mas não te deixarei perder,
é a única vida que tenho até morrer,
como se a alma me perguntasse: vais?,
sorri e alegrei, não sais.

Existir não chega.
Para afastar de ti esse ardor,
perdida de amor,
como se fosse um fantasma de ninguém,
que ninguém tem.

Existir não chega. 
E terás de mim a vontade,
de nunca me escapar a idade,
de ver-te bem e feliz,
foi o que sempre quis.

Força! 
A negligência de uma vida falhada está aos olhos de quem a não defende. Quando olho ao espelho e vejo-me vivo, chego a pensar nessa estúpida monotonia das palavras ocas ou das intimidades incertas. Se me queres ver nu, dou-te as palavras e vês-me muito mais do que podes reparar - as palavras também me dominam, exactamente como se tudo fosse uma interpretação exacta dos pontos finais. Não me guardo remorsos nem o arrependimento das vitórias derrotadas, que em tanto tempo foi quase como uma vertigem nas horas de dormir sobre o assunto, (Porquê?!), e tudo é mérito se aconteceu e se não é verdade não pode ser demérito...simplesmente não é nada. E vi-me muitas vezes a baloiçar no silêncio do vento de olhos fechados, num vaivém de arrepios que nem a memória me falha na preciosidade do tempo, e as vozes que eu ouvia por aí (quando não as sentia, apenas) não tinham objectivo de serem bonitas, nem de afagarem os braços perdidos num abraço que nunca senti, e não traziam a embriaguez das velhas noites em branco como se a Insónia fosse a mulher da minha vida.  E onde estive eu antes de tudo acontecer? E onde pairavam esses sentimentos? O que seria eu sem mim, à espera que tudo viesse desse céu onde repousei dias afim? Estou onde moram os imortais, os que nunca esquecem de viver com a sensata parvoíce de um dia inacabado, de um jogo que é desporto ou de um sonho que é ilusão. Pertenço à vitória de agora e do sempre, e aos grandes poetas das grandes obras e das grandes inspirações, e que o pontapé da ressaca dos maus momentos é apenas uma batalha perdida. E eu não sou uma batalha, sou uma guerra. E vou sem mangas no casaco ou sapatos dos mais caros, e vou entrar de rompante como se o adversário fosse o público e o cénario um coliseu debaixo de aplausos, e que à sétima vida eu saiba dar a quem amei e a quem me amou o prémio do meu maior reconhecimento. Posso até nunca vir a conseguir morar sozinho no mundo, mas cheguei aqui não foi?

Sim. 
Encontro muitas vezes o pensamento a vaguear por aí. Às vezes cumprimento-o com a mesma cordialidade com que se defende nas nossas discussões, e pinta-se vagamente resultados tristonhos, prejuízos na economia emocional e sim no cansaço do ser. Ser isto ou aquilo compromete a vida a aprender a ser isto...ou ser aquilo e que não pode haver misturas, daquelas que acabamos por não saber o que se é na verdade e para cada momento existem dilemas com quatro preocupações (duas cabeças, claro), e às vezes escolher um é a maior dificuldade quanto mais irmos aos quatro. Não se complique e se atine nas coisas com a mesma força com que atinamos, ou seja, tudo para acontecer tem sempre que começar antes disso e por isso não há princípios de nada e muito menos de tudo. Surge-me essa pergunta: principio de tudo?

Sabem onde fica?
Abram o espírito e corram pela vida fora.
Sorriso.
Tudo.
Imaginei-me no êxtase de uma partida final. Perto da  meia lua da grande área, de uma bola vinda a massajar o relvado de um ressalto infortuíto, corro pé-ante-pé e lembro-me da imagem ficar em slow motion. Pedaços de relva arrancados à força pelos pitons, os músculos que se contraem, gotas de suor em chuveirinho pelo corpo cansado a correr em solavancos, as pálpebras a fecharem-se e abrirem-se como portões nessa fracção ínfima de segundos, o olhar cabisbaixo para a bola pronta a rematar, o olhar assustado com a boca a contorcer-se do adversário e conhecedor da jogada e a levar as mãos às partes mais complicadas do ser-humano no mesmo tempo que dois passos de corrida. Inclino o corpo num eixo pendular esquerdo, coloco o meu pé esquerdo e cravo-o no relvado e com o pé direito a ir atrás e exactamente a dois segundos do final do jogo dá-se o contacto do peito do meu pé direito na bola. Inicia um voo crescente, com a bola a deformar-se com a potência do remate e a meter em respeito as leis da gravidade. Ao fim de vinte e cinco metros e no canto superior direito da baliza, a bola embate com violência nas redes, deixando para trás o olhar atónico do guarda-redes num salto monumental.Um segundo...e acabou. Ouve-se o arrepio de um estádio que vem abaixo, num golo profundo e de vitória, correndo eu em direcção aos adeptos nessa loucura que tanto esperavam. Felicitam-me e eu agradeço.

Por vezes a moral da história está num remate certeiro, não nos adeptos.
Fica inanimada essa palavra,
que guardo lacrimado meus irmãos,
eram pequenas pedrinhas de cetim,
feitas com estas mãos.

Cai sobre mim esse sol radiante,
vivo com pouco e com o muito que sei,
respiro a essência e vou sendo,
o que faço por bem.

Tenho nos bolsos as mãos,
com que percorro essas ruelas,
e uma sapatada separa a pedra do sítio,
e tantas outras que estão fora do sítio delas.

Penso, e esfrego as mãos do frio,
solto nesse bafo suspirante mais uma interjeição,
esvazia-se essa paciência e por breves momentos,
o coração.

E vivo dessas pedrinhas,
e o cetim que guarda, não o amasso,
são doces de primavera que me beijam,
e eu abraço.

Se perco o tempo às mãos de o agarrar,
se perco o chão à força de o ter,
nem é vida pelo que luto,
nem é luta nem é viver.

Vai, que eu olho por ti.

Nem sempre querer é poder. Muitas vezes, quer-se e não se pode. Outras queremos o que não temos. Outras ainda, sonhamos não ter o que temos, e paramos para pensar "e se fosse diferente?" "e se tivesse feito outras escolhas?" e depois pensas: "ho, se calhar nem consigo, mais vale ficar com o que tenho" e sabes como sei que pensas? Sei, porque te conheço. Tão bem como conheço as mãos que neste momento te escrevem. Conheço-te e amo-te pelo que és. A diferença entre o "David" de hoje e o "David" dos tempos de escola, é que te esqueceste do quanto vales, é que perdeste a paixão pelo que és. Mas quanto isso, eu já te tinha dito, que quando a perdesses, estava cá eu para te amar ainda mais, para te amar pelos dois.
Tudo o que quero que percebas é que te esqueceste de ti, esqueceste-te que a diferença está entre querer... E acreditar que se pode.
E aprendi com o teu ser maravilhoso que sempre que acreditamos em algo, os milagres acontecem. E aquilo que te falta neste momento, aquilo que falta a quem quer (e não pode) é um "vai que eu olho por ti".
Alguém que algures na nossa vida nos tenha dado a suprema bondade de acreditar em nós, mesmo quando nós não acreditamos de todo. É isto que transforma o querer em poder.
Ao longo da minha vida, fiz escolhas boas, outras menos boas. Fiz coisas das quais me arrependi, outras das quais me orgulho, outras ainda preferia não ter feito. Mas sempre que escolhi, tive medo. Porque isso te garanto, meu bem, ninguém é capaz de escolher sem medo. E sempre que o fiz, tive a bondade de ter a tua voz para mim "vai que eu olho por ti". Sempre que errei, tive a tua mão, o teu abraço. Sempre que chorei, tive o teu ombro.
No fundo, o que quero que compreendas é que o truque está neste pequeno pormenor: quando se acredita, tem-se. E se neste momento não acreditas em ti, acredita em mim, que te amo do fundo do coração.
Nem sempre querer é poder. Muitas vezes, quer-se e não se pode. Mas meu amor, tu és uma força do mundo, tu és dos que acredita, és dos que fazem por acreditar, e eu acredito em ti. Podes não saber para onde vais, para onde queres ir, mas eu garanto-te, eu vou sempre acreditar em ti.
 Se isso não chegar, terás sempre o meu ombro. Terás sempre o meu abraço, a minha mão ou a minha voz: Vai, que eu olho por ti.

Com amor,
da tua "Vanessa" :)


Posted by: Joana Fernandes.