Quando pego em mim para escrever, vou sem nada na cabeça. Vou escrevendo pensamentos, fortalecendo consciências e na maioria das vezes libertando estigmas que se levantam mais alto no defeito de ser. Aproximava-se sempre nesta altura uma excelente forma de poder mudar as coisas, como um baloiço à beira de um precipício que permite que subamos alto mas nunca que saltemos sem razão aparente. Saltar é sinónimo de queda livre, de luta nesse atrito todo que separa muitas vezes a boa atitude das boas maneiras, esse atrito que destapa o corpo esfomeado daquele que nada faz. A liberdade também tem o seu contrário - e não antónimo - e se morreram tantos a lutar por ela, era agora que do ar nasciam novos mundos? A vontade não é tudo nem nada. Para mim escrever é ir mais longe do que alguma vez pensei (e pensei sempre tanto!), e nunca me facilitou o caminho que tracei e que na pior das hipóteses posso ter duvidado dele. Voltar atrás foi tanta vez solução para os maus momentos, voltar atrás e na verdade revisitar outros tantos momentos, o que à partida parece tão singelo e simples, bonito e especial. Na rua nada é bonito, a menos que se ache um monte de pedra digno da sua beleza. (O que é ser bonito para ti David?) É ter em si significado porque ninguém se lembra de quem morreu com a liberdade, mas sim dela mesma. A liberdade é quem luta por ela. A liberdade é quem a sustenta, quem a idolatra, e não um simples sair à noite, menor. E o que escrevo para mim é perfeito, que tem todo o significado mesmo que mais ninguém o entenda, que tem todo a emoção e sentimento mesmo que ninguém o escute. O silêncio é dona das maiores palavras e esse é o primeiro preceito do que escrevo. Ir mais longe, mesmo sentado, não é tão subjectivo assim. Cortar com as mordomias é cortar com a serventia, que as feridas dos outros não servem os exemplos de ninguém, se não as tiverem também. Eu escrevo o que no momento não posso mais ser. E ser é poder estar, é poder transmitir que às vezes um pequeno cabo que liga o globo não é de milagres nem é nada também. Outras vezes é a solução e ainda assim os milagres não existem.
Perfeito
E quando na memória me surge o desconforto de nunca ter visitado tal cidade, jamais viverei descansado enquanto não fizer acontecer. E quando o relógio marca as horas certas de partida, quando rasgamos a emoção na chegada, muitas vezes não escondemos o fascínio e o olhar diferente quando atingimos metas que duram anos a percorrer. Tomar - a cidade que fechou a gaveta desse desconforto. E passear pelas doces ruas do que nunca vi, percorrer o nome das lojas, dos monumentos e da cultura. Da história e da doçura, de quem ao meu lado ajudou-me a montar este cenário perfeito de vitória na minha vida. E o Rio Nabão que tão bem rompeu a cidade recheada de encantos para quem a visita e para quem não sabe dela e a ouve longínqua pela televisão; a cidade para quem a sente de novo como que ainda dentro de uma caixinha de sentimentos nessas margens neste sol invernal, nesta vontade de não querer voltar nunca para trás. Tomar. Castelo dos Templários. Convento de Cristo. Mata Nacional dos Sete Montes. Igreja de São João Baptista (e o relógio fantasma que se movia e dava duas horas diferentes). Praça da República. Cine-Teatro (que transmite filmes muito depois de estrearem nos cinemas).Parque do Mouchão. Longra, Secador. E o desejo de lá voltar. À Margarida que tão bem me soube demonstrar a vida lá, que soube rir e ter paciência, que soube ouvir e responder-me, que pensou e preocupou-se, que acordou cedo e rompeu com o frio, que correu a cidade de lés-a-lés para eu não me perder, que esteve lá sempre, a vida inteira com uma boa palavra, um beijinho na testa e um abraço do tamanho do mundo, agradeço-te a hospitalidade e simpatia e os bons momentos de alegria, Obrigado minha amiga. E na Várzea Grande, numa estação que só tem um olhar em frente, 19h14 e parti de volta a casa. Outra realidade, outro mundo. Lisboa - Oriente.
Acordo no vulto negro das emoções,
e tudo passa a uma velocidade feroz,
e nem um olhar perdido,
junto à foz,
me aquece a pele e as sensações.
Esse mar que vai e vem,
constante,
vai como vou nessa estrada perdida,
vem como vem essa minha loucura sentida,
angustiante.
Descansa a cabeça e respira fundo,
e deixa-a falar que não lhe cabe nada mais,
essa vida, o túnel sem luz,
reluz!, jamais,
enfrentes a luz do mundo.
E o mundo é teu, sonha e tem-no,
não bastam passos e espezinhar a derrota,
porque antes que a esperança bata a bota,
e fiques na banca-rota,
se é teu, guarda-o.
Sou tudo o que sei, e o que não souber aprenderei. Marca-me às vezes o passo de te ver por perto. Tão ilógica, tão inocente que chega a parecer o florir de Inverno, e não sei reagir(-te), confesso. Gostava de ir para a rua e ter a óbvia certeza que não seria em vão, que as estradas estariam desertas para eu te poder ver passar - e ainda dizem que esses malditos sonhos ainda comandam a vida - e de bandeiras à janela com o teu nome, de cartazes por onde passasses. Acreditas nas maluqueiras à primeira vista? É que eu antes de amar gosto de surpreender. Sim, de estar em xeque na tua vida que assim sei que me dás atenção - que atenção, David? - Oh, e tudo fosse tão simples e nada disto chegaria às palavras que me consomem muito antes de as imaginar. Atitude. Chamo-lhe vicissitude se ainda não é e se ainda ninguém a achou, e os modos de simplificar o mundo, fá-los organizarem-se em gavetas mas não quer dizer que fique com menos volume. E eu vi-te chorar e a rebentá-lo nas tuas mãos, como se fosse fugaz a distância entre o que pensamos e o que realmente acontece. Mas está tudo bem, na aparência a ilusão é esbelta mas a perfeição nunca lhe serviu o sobretudo para esses dias de fracos olhares ou de pobres emoções ou de de míseras vontades (ai se estas fossem tudo!) que colocam este verde-noção com um verdadeiro azul-consciência, sem objectos, sem pontos, sem nada. E admirei-te como se em cada passo saísse poesias, e eu que me lembro tão bem quando dobraste a esquina da virtude vinha nos teus pés a dançar Florbela Espanca, e quando tropeçaste nos devaneios calmos do Fernando Pessoa, ou mesmo quando te encontrei e te abracei distante, ouvi dizer desse Eugénio de Andrade: "Foi para ti que criei as rosas." e pela primeira vez não consegui apalavrar a vida senão pensar: tu pensas isso de mim? e beijas-me a testa e saiu-me deste meu passo perdido, por Sophia de Mello Breyner: "Porque os outros calculam mas tu não.", porque não hás-de saber nunca o quanto gostei de ti até hoje, até agora e até sempre. E sais bailando porta fora com esse Miguel Torga: "Dá-me a tua mão" como se me lesses e soubesses que o aceito de coração.
Quem não mede os dias, mal sabe o que podem ser na verdade. Eu não meço que era retirar-lhe o poder natural de se auto-resolver da vida inteira, no entanto admito que vivo nesta atmosfera light, química e plastificada como quem identifica quem somos pelo bilhete de identidade.Muitas vezes é esse essencial que se sobrepõe às vontades de conquistar, de refazer, de reinventar - sim, que tudo o que há já foi feito - de reintegrar o corpo e a mente na estratosfera impossível da expressão emocional e ilusória do Mundo-fantoche, do Mundo-fantasma ou do Mundo-para-esquecer, porque tudo fica mais fácil com a vitória unânime de quem não luta e isso eu sei que não és nem fazes.Mas o ir-em-frente pressupõe que deixemos o peso da consciência para trás, que se deixe as vitórias do passado, que alguma só mereceram a medalha para pó da estante e às tantas era banhada a ouro, a prata ou a bronze. Os quilates são formalidades, a vida também. Desistir? Eu sei que o é desistir e está na página 510 do meu dicionário. Na rua quem manda somos nós, corpo e não nós, consciência, que essa manda na lei com que determinamos os dias. E os dias são sempre nossos certo? (ou deviam)
Às vezes, de imaginar-me só,
tudo ruí e desfaz-se em nada,
e marca a história a tragédia,
fica o nó e a batalha.
E quem eu vejo, e não me deixa,
não me agarro, não sou eu,
já vi dias mais claros, e nuvens mais secas,
isto não, não conheço este céu.
Perco-me tanto, e vou embora,
empurra-me para longe essa força,
são a pedra e parede amassada,
até que a vida torça.
Estou nu, a chuva cai,
a rua distancia-se,
entre o ir e não vai,
este dia, por aqui fica-se.
Nesta hora, voltei a duvidar de mim. Há muito que o tempo não chovia, não tremia com o sopro da desilusão. Mas voltar a casa nem sempre é mau. Por vezes, de imaginar a vida ao vento, chego a ter um respeito de morte e deixo-me levar que o horizonte não alcança senão uma planície imensa. Não quero saber das palavras hoje, nem dos sentimentos que me envolvem. Quero só descansar, descansar, descansar, mas não do corpo que as mazelas não são em mim o problema mas às vezes, penso, o defeito. É psicológico como a dor que pensamos possuir, que é maior que a dor de doer e de partir. É mais duro, incontestável e incontornável. E não sacode poeira nenhuma, nem faz ranger os dentes do frio. Congela a vida e desimpede o fracasso, destapa o que se sente mas deixa enterrar a virtude, e o bom que se pode ter. O que não vale a pena? O que não pode acontecer? Eu sei lá, meus caros, que nestas coisas nunca sei quem é o derrotado: se o que sou, se o que fui ou se me impede de ser. Que conselho? que verdade? Que monotonia merece o desespero da causa, da síncope emocional pela irrigação de vida dentro da consciência. Eu amo, porra, que mais poderia ser em mim? Quem me ouve nesta hora que o silêncio embate com violência em mim? Quem? Moderação David, moderação. Obrigado jo por voltares.
Vejo-te,
sobejo,
e dou de mim, assim.
Como uma verdade que se destaca,
suavemente ao sabor da faca,
de dois gumes,
atinjo cumes,
acendo lumes,
e não te vejo.
Onde andas tu, momento singelo?
que na tarde, nesse suplicio,
vemos mudar o solstício,
sonho lúcido.
Onde?
ferves essa ansiedade,
deixas saudade,
e vai passando a idade,
eu sei...realidade,
a quem se supera a si.
De querer encontrar o ponteiro dos minutos,
perdi horas,
em demoras,
em oras,
sem senão.
Coração.
Não, não,
desilusão.
Então?
Onde andas tu, meu amor?
(dor)
sobejo,
e dou de mim, assim.
Como uma verdade que se destaca,
suavemente ao sabor da faca,
de dois gumes,
atinjo cumes,
acendo lumes,
e não te vejo.
Onde andas tu, momento singelo?
que na tarde, nesse suplicio,
vemos mudar o solstício,
sonho lúcido.
Onde?
ferves essa ansiedade,
deixas saudade,
e vai passando a idade,
eu sei...realidade,
a quem se supera a si.
De querer encontrar o ponteiro dos minutos,
perdi horas,
em demoras,
em oras,
sem senão.
Coração.
Não, não,
desilusão.
Então?
Onde andas tu, meu amor?
(dor)
Nem sei o que pense,
se o diga ou faça,
é tudo tão desplante, e se sente,
é tão farta.
Se conclua, ou intente,
se minta ou mingua,
é doce e bela e decente,
sorrio de vê-la passar nesta rua.
Se verdadeiro é, soa,
a prosa perdida, dos "não sei quê",
e vendo-te, vida, do alto de Lisboa,
não sei se haja, ou simplesmente lê.
E em todas as barcaças a rasgar o mar,
em todas os aviões a rasgar o céu,
não há emoções que rompam com a vida,
e sentimentos com o que é meu?
As vezes que me sentar neste banco
observo-te, calado, e não sinto,
até achares que te procuro tanto,
até achares que minto, e sinto.
O momento que se perde em palavras,
de olhares no vazio,
imaginando-te doce como amêndoa,
de viagens ao pôr-do-sol neste rio.
E em duas palavras, a conversa é tudo,
é tão bom, não é? - penso,
não se escondem as nuvens, é tão puro,
é o mínimo do nosso bom-senso.
E a noite, que não havendo outra,
foi, nesse riso raro, a melhor,
e o momento que se perde em palavras,
foi bom, muito bom meu amor.
Se desligamos, voltamos,
nunca a Terra foi tão miserável,
que a vida diz, que a vida faz,
inquestionável.
Sente-se, as pernas tremem,
o frio que congela os movimentos, não o sentimento,
para os que esquecem, bebem,
se não esqueço e não tenho, não há momento.
Se eu soubesse que tudo era assim,
teria vivido mais em menos tempo,
e teria visitado o mundo duas vezes que a terceira haveria,
acompanhado por algo que não por essa garrafa de rum e do vento.
Nada ficaria para trás,
se o arrependimento tivesse morto parte do que fui sempre,
e pudesse chegar-se ao de leve perto de mim,
e dizer-me assim:
bate leve, levemente.
(Juro-vos que o meu coração fez-se sentir, sim).
Como se nada fosse,
como se nada o fizesse antever,
como se fosse nada,
mas que é tudo o que possuímos de melhor:
O saber.
E se eu soubesse que isto seria tal e qual,
algo diferente, algo anormal,
eu teria dado a volta ao mundo em 2 dias,
que ao terceiro,
escreveria,
cantaria,
suspiraria,
e continuaria,
a achar que o que sou,
sou e pronto.
De olhar-te, imaginar-te e pensar-te,
vivi como um filme a estrear,
é como saber-te e amar-te,
aqui e em toda a parte, te lembrar.
És uma recordação infinita de uma coisa boa,
a voz fica e o sentimento também,
e daqui sem ti, tão pequena essa Lisboa,
ver-te sempre tão além.
Na noite, onde te revelas,
lua cheia a norte, as estrelas segredam,
que choras na fraca escuridão à luz das velas,
e um beijo suave lanço, e os ventos o levam.
De saber-se especial, sou franco, perfeito,
um abraço é pouco para as palavras o descreverem,
e vou para o mundo de peito feito,
vejo-te e me perco, vale mesmo a pena dizerem?
vivi como um filme a estrear,
é como saber-te e amar-te,
aqui e em toda a parte, te lembrar.
És uma recordação infinita de uma coisa boa,
a voz fica e o sentimento também,
e daqui sem ti, tão pequena essa Lisboa,
ver-te sempre tão além.
Na noite, onde te revelas,
lua cheia a norte, as estrelas segredam,
que choras na fraca escuridão à luz das velas,
e um beijo suave lanço, e os ventos o levam.
De saber-se especial, sou franco, perfeito,
um abraço é pouco para as palavras o descreverem,
e vou para o mundo de peito feito,
vejo-te e me perco, vale mesmo a pena dizerem?
Havia um rapaz, caminhantes nas aldeias,
vivia o campo como a sua caserna,
ía da escola para casa, e nos deveres cumpria,
via da mãe contente a vir do pão e o pai na taberna.
Sonhava um dia ser artista,
ser aplaudido de pé, queria lutar,
e se se via aflito e nada fazia,
noutro ninguém o fazia parar.
De campo em campo, de vida em vida,
era bom-rapaz, diziam, e nada mais,
ficar-se pelo normal, era não ficar,
a ninguém mesmo, queria ele ficar igual.
Como que nos meros acasos da vida,
puseram-no numa sala de espectáculos, silenciosa e escura,
calado ficou, sentia medo,
era uma simples tortura.
LIBERTA-TE!, gritou-lhe a alma,
por todos que amava, e que tanto lutou,
fechou os olhos devagarinho,
encanto, espanto, deslumbrou.
Num ápice, como se viesse abaixo,
milhares de olhos postos nele se levantaram,
ainda hoje, passado tanto tempo,
dele ainda se lembravam.
Não há céu que o faça sair vitorioso,
se não conseguir sofrer,
que o que não nasce ensinado, aprende,
e quem aprende, tenta não perder.
Chamo-me David, e tenho quase vinte anos,
não recebi aplausos mas lutei,
e em cada pessoa que me admira, eu guardo,
simplesmente, amei, amei, amei.
Por entres gestos e brincadeiras, e palavras vãs num surto de emoções, oiço o teu chorar silencioso. E vou admitindo a minha voz nesse tom cativante, absorvendo cada frase - e vais sentindo - como se o acordar agora fosse o mais verdadeiro de mim. Arrepias-te? Sopra-te na alma esse vento doce a percorrer-te cada parte do corpo, peças do meu puzzle incompleto. Não, por ti não. O teu ouvido é a distância mais pequena que agora podes ter na vida, ouves-me de olhos fechados e eu vou pensando que são arco-íris gelados num sol acolhedor, que emana essas energias que fazem roncar o motor de um mustang que além de belo e rápido, segue-te como umas calças de ganga a ranger nesse teu caminho. Dá-me boleia. Não deixes que me fique pelo caminho nesta tempestade de letras, nesta brincadeira sem fim à vista. Só quis ir da cidade A à cidade B, e nem o comboio te persegue nessa potência dilacerante, empurrando-me para trás no banco que me deixas sentar no carro. Olhámos ao mesmo tempo, não esperávamos e são essas coisas que não nos mentem ou nos deixam afogar a alma. Destino: vida.
Algures na distância infíma entre tu e eu, existe formas incontroláveis de saciar toda e qualquer sede. A de vencer as barreiras, as lutas infernais, os horários rotineiros e os ponteiros perdidos. A de pertencer à eternidade e à voz do embarque, dos gritos sórdidos das prisões cheias de quem mente e rouba, de quem suja e não limpa, de quem não vive e estraga a dos outros. Espaço para os injustos que por alguma razão inventaram o conceito. Uma sede que transborda o rio da miséria e desfaz a cabeça em pedaços nulos, em zeros espalhados por esse chão repugnante e surpreendido. Só nesses dias de nuvens altas e raios de sol posso ver o resultado de toda qualquer coisa que passou aqui ao nosso lado, e eu não senti nada e tu nem deves ter dado conta do mesmo. Inventámos o mundo que nos une, e quem nos tira esse rasgo de génio por esses horizontes fora, quem? Superar a concepção é superar o mínimo que se atingiu, é superar a ambição e ter coragem de admitir a vitória por méritos seus porque o devaneio é um fósforo ardido a querer queimar na outra ponta. Mas queima, e morrem-se valores premeditados por ninguém tomando-os por nada, e será que há espaço na cova para isso? Não, não há. Nunca deixemos morrer o que é nosso, o que estimamos e o que sentimos. Que antes a cabeça cheia e o coração vazio, que o fígado desfeito e o estômago tirado fora.
Começa o ano, vibrações violentas,
vejo-o com esperança num dia diferente,
que o passado fica atrás, e se o tentas,
estranho se fica, nada sente.
Fulminam-se no céu chuvoso,
esse turbilhão de cor,
cheiro essa terra molhada, e olho o céu lacrimoso,
será chuva, será amor?
Acaba-se o brinde tardio,
entre nuvens afastadas de sóis apagados,
rememos nas margens duras dum rio,
de sonhos passados e realizados.
Amanhã, quando a luz raiar,
e as portadas se abrirem,
e se ouvires as vozes sorrirem,
faz acontecer, faz por acreditar.
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