2009---2010
Aqui volto eu para o último texto deste ano, com este o 186º. Para trás deixo as centenas de comentários, as lágrimas, os risos e contra-risos, os contra-sensos, as falhas, a dor e paz de espírito. Deixo também as memórias e as fotografias, as vozes e o cheiro a mar, porém deixo-vos as vírgulas e os ponto-e-vírgulas, as reticências e as horas perdidas e sobretudo a esperança que amanhã seja cada vez melhor, cada vez mais doce e maior para o mundo que vivemos. Recordo-me neste ano como uma pessoa que foi triunfando aos poucos, e perdendo caminho noutros faces do medo e do receio, fui crescendo e subindo degraus que me obrigava a fazer-me sentir cada vez mais a confiança e a rapidez dos gestos inanimados. O tempo sempre foi tão curto e tão pouco para tanto que se podia fazer. Nada de lamentos, que não me quero arrepender deste ano. 365 dias recheados da maior virtude que pude dar, dos maiores desafios à resistência e força que pude ter, mas mais que isso conheci grandes pessoas, grandes exemplos, que a vida nem sempre espera por eles e quando vêem são dádivas, são tesouros que a abrir-se revelam-se por excelência verdadeiras essências e diamantes por delapidar. Mas nem sempre fui a melhor pessoa para o momento que se avizinhava, e nem sempre consegui segurar o amor que me unia e que segurava o fio pendente do coração. Foram horas de decisões, de preocupações e principalmente de reflexões sucessivas que claramente precisei dos meus minutos de David, de alma e vida encerrados em si mesmos. São pessoas que nos marcam um certo segundo, que nos encaixam na sensatez, nas palavras e nos gestos que precisamos e que se tornam sentidos e fazem-no constantemente para mim que sempre precisei deles. E hoje, hoje é hora de também admitir que das melhores coisas que a vida me deu foram esses amigos e companheiros de viagens e que sem excepção guardo uma palavra de carinho, de apreço e de solidariedade que nem sempre a intenção de pensar se sobrepõe à vontade de fazer, e assim perdemos muito por culpa nossa também. E porque nada fica por aqui, apresento as minhas desculpas ao pouco que soube ser enquanto pessoa, enquanto humano e decência na sociedade nalguns momentos e que tentarei em 2010 crescer um bocadinho mais e tornar-me cada vez melhor nas minhas acções, dignidade e sentimentos. Por fim, foi mais um ano de grandes lutas pela vida, de grandes emoções e de doses incontroláveis de sacrifício. Obrigado a quem me lê, a quem me sente, a quem me escreve, a quem me ri, a quem me chora, a quem me desabafa, a quem festeja comigo, a quem me tenta ajudar, a quem se chateia comigo pelo meu bem, a quem acredita em mim, a quem está comigo, a quem teve paciência, a quem não perdi, a quem eu conheci, a quem eu guardo, a quem eu sinto, a quem vive comigo, a quem nutro o maior carinho e simpatia, a quem não dispensa o David, seja ele o David que for. E posto as coisas assim, só uma última palavra a quem a minha vida estará eternamente agradecida, à minha Mãe que o meu coração não quererá outra, ao meu Pai e companheiro das conversas de homens, à minha Irmã, pilar dos tempos modernos que soube sempre partilhar comigo o que nos uniu sempre. E ao meu maior irmão que alguma vez irei ter: o meu sobrinho. E não menos importante, o Cunhado que guardo com bastante apreço, não fizesse o que faz há tantos com a mulher da vida dele...a minha irmã, claro.Amo-vos a todos, e agradeço-vos a paciência e tudo o que me permitiu aqui estar mais uma vez. Bom 2010 a todos.
Imagina que chove como tudo, que já não há abrigo que possa reter tanta água. Como as lágrimas que muitas vezes derramamos. Mas, que me vês a caminhar pela rua, calmamente e ensopado até à pele que me protege de quase tudo, de quase todos. E vejo-te ao longe a agarrar o vidro a lançar-me um grito feroz, um grito sonante: "Sai daí que o mundo vai acabar!", e que eu sei o que dizes mas não te oiço. As nuvens segredam com os ventos, a chuva com as tempestades e eu com a confiança inabalável de querer salvar isto tudo, de tudo e de todos. Grita mais, e agora choras como se fosse inevitável, o meu fim. Não há fins inevitáveis porque sabemos que existe. E eu caminho, pesado pela água na roupa que visto, cansado por quase nadar nesses pântanos cosmopolitas sem forças para mais. E eu vou olhando, e aproximo-te de ti. E faz-se ressoar como uma explosão esse relâmpago-aviso, esse relâmpago-maléfico como aqueles risos nos filmes de terror. Se é para acabar com esta merda toda, acaba primeiro comigo: é assim nos filmes também não é? E já desesperas e prendes-te na luta feroz de me querer "salvar" o que se acha impossível de não acontecer. 150 metros de ti, 100 metros, 50 metros, 25 metros, 10 metros..."-Sorri-me!", nessa calma inacreditável de carros e telhados a voar, de tragédias que só acontece quando ligamos a televisão. Estamos os dois no mesmo mundo não é? Grita lá outra vez, que gritarei contigo que o mundo não acaba assim, nunca.
Se olho e não disfarço esse jeito contundente, sou apenas um convento de freiras em risco de ruir por causa da chuva. E as freiras? Mais, e o convento? Estranho, que depois aluguem uma igreja para os lados dos contentores de Alcântara. Mas diriam os entendidos que o preço a pagar era aborrecido para as carteiras, mais forte ainda, era abrir-lhes a porta de saída se nada tinham a não ser a palavra de Deus. E para agentes imobiliários o importante é o dinheiro e cartões para fotocopiar. E as frases cliché para manobrarem a bíblia emocional das pessoas - será sempre do "melhor que há", nem que umas "pequenas obras" sejam sempre uma reconstrução total do espaço. E que se lixe a vista para o rio, se nem telhado tem e, em boa verdade, a chuva é quase um doce conventual porque dizem que estes...vêem do céu. E se não disfarço? Se muito distraidamente vou pela rua e embato com a cabeça num poste? Preocupar-me-ia a dor? Rir-me-ia desalmadamente? Ou simplesmente desviar-me-ia meio metro para um dos lados e seguia o meu caminho? São fracções de milésimos de segundo que temos de agir - e não pensar, que se bati foi porque batia cá dentro - e estudar o caso. Somos da era dos computadores e não computadores ou máquinas de lavar roupa, se bem que alguns dão bem a volta ás pessoas. Ou uma máquina de secar roupa, se for-mos contar com a quantidade inesperada de gente que todos os dias manda a sua piadinha...seca. Ou sobretudo um copo de cristal: frágil, bonita e doce, que se pega com as mãos com o cuidado que se deve ter. Mas não, vem sempre esses deslumbramentos de embriaguez que se quer da garrafa o que a seguir se estatela toda pelo chão. Mas as máquinas estragam-se, pena, e bem vistas as coisas é quando se invertem os papéis e as pessoas mudam. Eu até posso admitir que a sociedade poderá estar carregadinha de pessoas das quais a vida é apenas um espirro mais longo, e ninguém disse que um espirro trazia coisas boas. (E tenho um sinal um pouco abaixo do dedo mindinho da mão esquerda). Que interessa? Nada. E o convento: onde ficámos mesmo? Ah, não havia casa não era? Mas olhem, depois da pancada forte no poste, de duas máquinas estragadas e de um copo partido, quero é olhar este convento que não existe, abrigado da chuva debaixo de um prédio que não tem vista para o rio e tomar um café que tenho duas frequências hoje à tarde.
Sentado na cadeira, rotativa ainda por cima, vi o mundo andar à roda. Fechei os olhos, como quem quer sonhar e esquecer que se faz alguma coisa de inútil. E o vento na face que se sente? Não esse gelado que derrete a força de querermos aquecer. Regra geral: ou corremos, ou apenas se vai lá com muita roupa. E rodopiei os sonhos, como se fossem bolas em tômbolas e jogássemos ao bingo. Tu ao meu lado a rirmos da desgraça dos outros, e nos nossos gritos de vitória, mesmo sabendo que era sorte de principiante. Ganhámos o dinheiro para o nosso tão anseado jantar, menos mal. E tirando a fome, o único aperto que tínhamos tido foi o da despedida, do afastamento precoce do momento que nunca chegou a acontecer. Felizes. E quase me esquecia que estava no meu quarto, apagado de tudo, às voltas a centrifugar a vida porque quero encostá-la à parede e sedimentar as partículas mais densas (daí o peso da consciência às vezes). É preciso dominar(-nos), enriquecer(-nos) dessa matéria mais pura. E se um dia pensarmos que vamos lá para fora só pelo momento, para quê sair se não chega a ser ambição?
Embalam-me como em sonhos,
não acontece mas vai-se sentindo,
como se me quisesse dizer nada,
e tudo é, não vou mentindo.
Dias, são realmente dias,
As noites são sestas onde habito,
agarro-me ao sono como se o desejasse,
fecho os olhos e sonho e palpito.
Acordo e é noite, que fecho tudo,
o incenso esfomeado entra-me pela porta,
"-queres torradas?" - perguntam-me,
e eu respondo: "-eu? claro, corta".
São mudas as manhãs que o Natal desconfia,
nessa força consciente de querer pensar,
que se faça nessa tarde a vontade maior,
de dar o coração a quem precisar.
Deixa-me apenas guardar,
a força que tenho de não esquecer,
que se nos preenche a alma, orgulha-nos e vamos de contente,
se nos preenche a vida, apenas fica até desaparecer.
Nem sei com que feitiço é feito,
esse esgar feliz, tão assim,
que a natureza é resplandecente e primorosa,
cada dia a sua admiração, de te ver assim.
Mágoa? claro,
Guardo-a nas minhas pernas à força de as fazer andar,
que não é fútil, e menos o é irreal,
percorro distâncias infindas, sem me cansar.
Não esqueço, não,
tantas vivências nessas varandas com vista para o mar,
e o rádio toca, era aquela música,
só por acaso, era o despertador a tocar.
Levanto-me num ápice,
na porta, surpresa, eras tu a sorrir,
de cabelo estranho, de pijama assindético,
olho-te, baqueado, não parecia que estive a dormir.
Obrigado,
que as palavras também faltam quando são reais,
e ter na certeza, óbvia, que não se apaga,
uma e duas pessoas nunca poderão ser iguais.
Existem na vida dias certos para os momentos certos, e que a caminhada que traçamos desde essas madrugadas não trazem no bolso a bússola nem o sol que nos guia, mas a intuição nem sempre é solução. De onde vem as coisas más? Alguém em tempos teve o discernimento de "inventar" a maldade? Não percebo de onde vem, mas alastra-se em mim como esses cancros que ninguém liga e me vai consumindo a cabeça, sobretudo o coração. Porquê a cabeça e o coração? As únicas máquinas capazes de suportar a ferocidade dos tempos modernos, e de reinventar em ciclos profundos novas formas de correr por nós e pelos outros com velocidades nunca antes alcançada. E quem inventou as metas? Se elas limitam a ambição até ao ponto. E quem inventou os maus amigos, os maus namorados e as más companhias? Que às tantas desenvolvem-se amplamente de maneiras diferentes: maus namorados mas boas companhias e maus amigos, óptimos namorados. Quem? Sofre-se para quê caraças? Aliás, porque se ensina ao coração o sentimento inesperado da desilusão? Porquê? Até as lágrimas são salgadas, por amor de Deus, e ninguém repara que estamos todos a pontapear o ar à custa de nós próprios já que no meio da tristeza há sempre um pé dorido, uma mão inchada, uns dentes partidos e está nos outros - objectos, pessoas, outros - a razão para se libertarem. Não, isto não está certo. E quem cria raízes são as plantas, não as relações que deviam ser livres de serem livres ou não, e que nem sempre sabemos isso. São o fascínio da união, da vontade e querer estar nesse outro que nos sustenta a alma, mas também há o lado mau em tudo porra, e tinha de haver para fortalecer isto tudo? Quando acontece, meus caros, quando acontece. Que às vezes marca-se o primeiro golo e sofremos dois e perdemos o campeonato, e fica marcado o momento de quem ganhou e não de quem perdeu, porque para os derrotados sobra tempo para vencerem e para os vencedores? Sobram taças de museu e memórias de quando ganhavam? Não, eu não sei ser assim. E as palavras que são ditas, e os gestos que se têm, e as horas perdidas nessa alegria de quem entra todos os dias de férias grande, e as memórias nessas fotografias todas, nessas vozes todas...sobra o quê quando não se tem? Sobra apenas o infortúnio de ver, de sentir e nunca mas nunca tocar. Falem-me da merda da chuva que nos atravessa o penteado acabado de fazer, falem-me dos bolos que engordam e do preço altíssimo dos transportes. Para quem sobra essas pessoas assim? Quem? O amor, seja ele qual for, vive de harmonia e músicas de harpa, e não desses solos de baterias para descarregar energias. O amor vive de solução e para havê-las tem de haver problemas. QUE OS HAJA PORRA, mas que não sobre nada que havemos de ser íntegros. Desiludido comigo, sim, mas não derrotado.
Sente-se quando grito de peito aberto essas palavras, devaneios, por entre espaços descontínuos das pedras dessa estrada desolada? É que grito a viva voz, nessa já rouquidão do tempo que os ponteiros do relógio andariam depressa - quero ouvi-lo...tic-tac, tic-tac, quero senti-lo cardíaco, compassado, (música). Não proíbo mas evito essa hora certa para tudo ser e acordar-me de um sonho bom (não, não me vão fazer isso) que antes disso já eu me ria com quatro horas de olhos abertos a pé, nessa madrugada fria de coração gelado. Não oiço esse relógio, passou a ser electrónico, a ser luz carregada dessa energia que tenho de pagar (pagar para ver as horas!?). O coração não funciona a luz, nem a pilhas, dizem que o estraga demasiado depressa. Fecho essa caixinha de desejos - espera, deixa-me tirar o último chocolate - agora sim, que faz quatro horas e qualquer coisa que oiços os outros ressonar (e o relógio?...Oh, deixa-te disso!). Vive como um, mas não como um ponteiro. Tenho vidros duplos, e quando o abro desalma por esse vendaval toda a tempestade que se aparenta forte, e quando o fecho, fecha-se o silêncio em si. Daí o coração ter janelas (mas os ponteiros ouvem-se, e agora?). Sente-se quando grito? É porque a alma tem espelhos, e estes não falam.
Falta não estar assim nos momentos que não devia. Sinto que vou perdendo bocados de mim, graças a este coração maldito que não pára quando devia ser assim. Estou triste, muito triste. Não escondo o desalento por tanta desilusão que fui construindo pelo que me fiz dentro desta alma sedenta de crescer que a ambição não chega para tanto. Abro-vos novamente o espírito, que hoje foi o limite da força emocional, da capacidade de reagir. Era dia de dormir para não acordar mais, que amanhã posso não querer o mesmo. A alma, essa maldita também, precisa de ser um só e não andar em pedaços à deriva de um qualquer mar, de um qualquer deserto de ideias que não passaram do depois, do amanhã, do "se" e do "porquanto", do "mas" e de todas as formas verbais que não o presente. Dói muito. Cansa muito viver desta maneira tão delinquente, tão despachada, que a mim nunca me serviu o tempo, nem as quedas das alturas a que escalei vezes sem fim por querer ser desta maneira, neste sentido. E a vida não tem o mesmo sentido. A chuva, essa maldita, foi apagando desse chão fissurado todas as fracas partes do ser que me compõe e me fazem incompleto. Funciono no essencial, mas não é tudo e queria colar que as voltas nem sempre encontram o destinom tomando-se nessa linha recta rumo ao infinito do vácuo, do zero, do nada. E eu que precisava apenas dessas raras pessoas a quem não deixo alternativas: se perco, perco-me.
O maior amor que se pode perder, é aquele que nunca se pôde ter. Perde-se a essência, perde-se o importante. Porque os afectos são nuvens brancas por cima da nossa cabeça, de algodão como lhes gostam de chamar, mas não trazem chuva, outra cor aos meros pormenores do amor. E tem-se de viver de tudo, tudo mesmo, até à exaustão emocional, até ao "dizer chega" e rebentar de vez que o contrário era apenas massajar o desinteresse e acabar com ele. O amor para mim sempre foi uma companhia: volátil, complexa, comprometedora, que para o odiarmos teremos de amá-lo primeiro, e eu nunca odiei nada senão o "não" quando se ama, o "não" quando se quer, o "não" quando não se quer esperar outra resposta. Mas não se pede para pensar depois disso, que tudo fica estranho aos olhos de quem cegou por completo.O que se aprende? Aprende-se a gostar menos? a não entrar em tentação? Há coisas que são demasiado próprias para se poderem distinguir aos sentidos, há coisas que não se acabam como se acabam as histórias de encantar. Se não se fecha um ciclo, algo tem de o preencher que não o fim.
Perco-me muitas vezes,
nesses embarques em dias loucos,
e de ver o sol baixar,
faço que não vejo e sou todo ouvidos moucos.
E contou-me, certo dia,
essas chuvadas fortes de mansinho,
que antes dizer o essencial,
que nada, e ficar caladinho.
E é nesse beijo, flocos de neves sobre mim,
e aquecer o momento, não arrefecer o tempo,
e abraçar a força com intento,
ficar e observar sempre assim.
Estremecemos, arrepios de frio,
soletra-se um "gosto de ti" com vigor,
que a amizade também é amor,
e eu quero vencer, ser cada vez melhor...e ter brio.
A minha voz que ecoa suave,
e abana-se a alma, cabeça oca,
vemos o pôr-do-sol, não é grave,
e ficar marcado depois de um beijo na boca.
E se no fim, o barco nos espera,
imaginário nesse mar de emoções,
que a vida é uma mera,
vontade de unir corações.
A fragilidade da alma provém dos sentidos. Que outra natureza, não a morta, nos dá a intensidade certa das coisas? A nossa. A natureza da própria pessoa está acima da humana, da celestial, da eclesiástica e sensacional. Porque o dinamismo é mover, mover é criar, criar é existir, existir é pensar e pensar é melhorar, e tire-se da ideia de que nem sempre é assim. Ninguém espera pelas possibilidades: simplesmente pensam-nas, na exactidão de cada palavra e no suposto tormento de ver o que sai dali. Ansiedade. Quando não queremos esperar, e ela se torna uma pedra que incomoda no sapato, mas compensa muitas vezes. "Todas" não existe, "Nunca" não existe, "Sempre" não existe. Existo eu, todo o Eu mais profundo, nesses devaneios de olhares perdidos nesses momentos de encanto. Sou um eterno romântico, mesmo que ninguém o pudesse saber ou sequer perceber e gosto do sonho, da ilusão boa e da fantasia. Acontecer? que aconteça que o momento não morre em águas paradas, nem as palavras desse beijo doce que te embala a mente de ti e...de mim.
Há coisas que não consigo esquecer tão facilmente. Ninguém comenta na verdade o que sempre foste. Ninguém. Ninguém sabia distinguir em ti pormenores tão indistintos como o simples arfar do teu pensamento - alguém perguntava-te o que sentias? - e deixavam-te rir como se fosse a tua única brincadeira e eles não pudessem fazer nada. E ninguém sabia estar ao pé de ti da maneira que muitas vezes eu estive, quase que fui atropelado quando tentavas atravessar a rua e lancei-me a ti e empurrei-te para fora da estrada. Foram apenas 12 pontos na cabeça, e a certeza que continuavas a ser do melhor que a vida me pôde dar - quem o fez por ti, quem? - e ninguém gostava quando desabafavas, quando admitias gostar das pessoas. Eu estive sempre lá, minha querida. E deixei para trás o tédio e cinco trabalhos de casa que me faziam a cabeça em água - ninguém trocou a vida por 2 minutos contigo, eu troquei 3 e já lá vão meses - como se tudo fosse tão possível, tão fácil. Contigo sempre foi, sorris-me outra vez? Mas souberam comentar de mim todas as más histórias que nunca pude fazer acontecer. Se sentires, estarei em todo o lado onde estiveres.
Verte-se a cabeça, deixa-se a água correr. Fecha-se os olhos. Com este frio, misericórdia a minha, a água quente valha-nos sempre tudo. Imagina no que pensei...(pois). Não evitei que o tempo que ali estive fosse motivo para tanto berro fora da casa de banho, e porque era o jantar, e porque era os afazeres, e porque era a responsabilidade, e porque era a minha cabeça que dizia que sim e que fumegava a todo o gás. Não, não. Não pensem que agora estou de cabeça quente, se a piada lhes chega ao goto ou se a inteligência é outra. Outra? Interessa-me, inteligências diferentes, diferentes visões, é isso. E saio para a rotina, sobretudo humana, que precisamos de nos alimentar. Mas têm razão, ainda tenho algo no pensamento, simplesmente não sai, mas sabem quando queremos arrancar e simplesmente pôr no coração (no coração também não que já lá está), mas quando queremos ter na nossa mão para andarmos a ver - sim, porque sempre temos a cabeça meia vazia, ou meia cheia, se a piada lhes chegar ao g...pois, isso! - e na mão não tenho, não. Mas tenho no coração. Podia chegar, claro, mas assim até está sempre presente não é? Sim, eu sei que no coração também. Mas na nossa mão não é sempre outra coisa? É, claro. Quando fica, nem pareço eu, nem quero que gosto muito da Lua e de andar por lá...mas se tiver os pés cá em baixo, reparem no tamanho que eu teria. Há coisas muito maiores.
Soas-me a proximidade, só de querer sonhar contigo.
e os problemas existem,
não fugimos a eles.
E soas-me a essa doce mania e não esquecer memórias boas,
porque o são,
porque o foram,
que embora existam sempre maneira de acabar com as coisas,
só acaba quem não sente,
quem não quer,
quem não sabe,
que por detrás de uma grande vontade,
tem de haver doses incontroláveis de sacrifício,
de luta,
de espera,
de sentimento.
E transbordo em superar o tempo,
e me deixe completamente feliz.
E eu sei.
sempre o soube,
(e tu sempre o soubeste)
que me basta a essência.
e os problemas existem,
não fugimos a eles.
E soas-me a essa doce mania e não esquecer memórias boas,
porque o são,
porque o foram,
que embora existam sempre maneira de acabar com as coisas,
só acaba quem não sente,
quem não quer,
quem não sabe,
que por detrás de uma grande vontade,
tem de haver doses incontroláveis de sacrifício,
de luta,
de espera,
de sentimento.
E transbordo em superar o tempo,
e me deixe completamente feliz.
E eu sei.
sempre o soube,
(e tu sempre o soubeste)
que me basta a essência.
Às vezes dou por mim a pensar:
"-que sol é este?"
que não aquece, que não ilumina.
E logo depois aparece uma nuvem,
e enfraquece esses frios polares,
de casacos apertados, e penso:
"-que frio é este?"
que não me arrefece, que não se vê.
E apareces, ao meu lado, silenciosa,
e dou por mim a perguntar-te:
"-quem és tu?"
que não fazes de sol, não fazes de frio,
mas vens e ficas,
remexes e mudas,
e eu gosto
e penso:
"-quem sou eu?"
apenas sorris,
e guardo-te.
"-que sol é este?"
que não aquece, que não ilumina.
E logo depois aparece uma nuvem,
e enfraquece esses frios polares,
de casacos apertados, e penso:
"-que frio é este?"
que não me arrefece, que não se vê.
E apareces, ao meu lado, silenciosa,
e dou por mim a perguntar-te:
"-quem és tu?"
que não fazes de sol, não fazes de frio,
mas vens e ficas,
remexes e mudas,
e eu gosto
e penso:
"-quem sou eu?"
apenas sorris,
e guardo-te.
Se gosto, gosto mesmo
Se é possível acontecer,
não há que pensar em metades de nada.
Que ninguém escolhe o caminho certo,
se não teve que escolher entre vários.
E eu nunca gostaria,
se não tivesse que olhar para tudo,
e para dentro,
onde tudo acontece.
não há que pensar em metades de nada.
Que ninguém escolhe o caminho certo,
se não teve que escolher entre vários.
E eu nunca gostaria,
se não tivesse que olhar para tudo,
e para dentro,
onde tudo acontece.
Sabes, de querer ver o mundo,
Deixei cair essa solidão pelos dedos.
Como se fossem lágrimas do avesso da alma,
Lutas desiguais por esse sentimento inteiro,
Desordeiro,
Desgraçado,
Que antes de pensar, pensa nisso,
E amar só depois de pensar no pensar em amar,
E quem o faz, se acha irónico ler?
E quem o faz, se acha que pensar faz morrer?
E ninguém morre assim, NINGUÉM.
Dar de tudo o que se é, é dar apenas tudo,
A menos que sejas vazio, inerte e espaçoso,
Aí, dar tudo é dar pouco, porque por mais nada que se tenha,
Tem-se sempre alguma coisa.
E ama, e luta,
Que aos outros amar é visão até acontecer,
É rascunho até ser,
Que o amor é sentimento,
E ninguém pensa nisso.
Pensar MATA...e eu ainda cá estou.
Luta sempre
David Filipe ferreira | Vídeo do MySpace
Um olhar mais descarado,
um momento perdido,
fico vazio só de pensar,
acreditam que foi sentido?
E é continuar em ti, admiro-me,
és tanto em tão pouco, e o tempo um suspiro,
se sozinho, ansioso me ponho,
se te vejo, atrapalho-me e até transpiro.
Se todas as palavras fossem tudo,
imagina o que seria realizar,
que tudo o que é infinito é pensamento,
e antes de todas as certezas, a única é criar.
E o longe é relativo a quem está mais perto,
pára, escuta e repara no que é teu,
e só há um limite entre tu e o fim da luta,
O céu.
Era dia de pensar que esse não paga adiantado. Foram passos inúteis daqui para fora, nessa paragem no tempo sem rumo algum. Arruaçava a brincadeira no nevoeiro puro da manhã, tempo de sonos, de almofadas e silêncios a ressonar. E eu não pararia sequer para beber água - como se pensa tanto assim? como? - como se tudo fosse possível dessa maneira e de todas as outras que desconheço. E o ritmo das pedras que dançam por debaixo de nós, como pirilampos de mármore que só brilham no escuro do que se pode imaginar. Era dia de pensar que não há dias certos. E nada se passou tão exacto que não pudesse antes ter sido arrancado a ferros, como se fossem primaveras presas no gelo ou mesmo nuvens embaladas nos congelados de qualquer mercearia. Desculpem ter achado que até as nuvens, pobres coitadas, são alimento para o Mundo. E para quem não tem, muitas vezes nem as nuvens. E hoje, hoje que tudo era se acontecesse, nada foi, nada houve, nada se passou, porque se abro a porta da rua e encontro a novidade, se não a abrir, a novidade sou eu e isso depende de mim. Só.
E é estar calmo e reticente,
pensar encaixotado não era razão,
abro as portas ao dia, que a noite acabou,
chega da sonolência, assim vou,
para o mundo carregado de emoção.
Apetece beijar e tornar real,
nesse puro gesto de carinho,
que nunca se deve, dever,
que não se sabe, saber,
que atravesso num olhar do Algarve ao Minho.
Para quem cuida do que se sabe,
do que se mostra, vê ou conta,
é preciso estimar e conhecer,
ter tempo e saber,
que não somos bonecos que se monta.
E é ser-se mortal até nas lágrimas,
que apenas é única a oportunidade de viver,
que perdemos tanto de olhos tapados,
antes amigos, confidentes, que muitas vezes namorados,
que não tem de haver nunca nada a temer.
Amem, lutem, que a pele é vossa,
Que há dias-sim e dias-não,
e eu quero que assim seja, que não gosto do perfeito,
e é ter dentro um lugar estreito,
chamado coração.
pensar encaixotado não era razão,
abro as portas ao dia, que a noite acabou,
chega da sonolência, assim vou,
para o mundo carregado de emoção.
Apetece beijar e tornar real,
nesse puro gesto de carinho,
que nunca se deve, dever,
que não se sabe, saber,
que atravesso num olhar do Algarve ao Minho.
Para quem cuida do que se sabe,
do que se mostra, vê ou conta,
é preciso estimar e conhecer,
ter tempo e saber,
que não somos bonecos que se monta.
E é ser-se mortal até nas lágrimas,
que apenas é única a oportunidade de viver,
que perdemos tanto de olhos tapados,
antes amigos, confidentes, que muitas vezes namorados,
que não tem de haver nunca nada a temer.
Amem, lutem, que a pele é vossa,
Que há dias-sim e dias-não,
e eu quero que assim seja, que não gosto do perfeito,
e é ter dentro um lugar estreito,
chamado coração.
Acordar nessas manhãs geladas que nem mil cobertores conseguem aquecer, é dizer algo e sinónimo do que aí vem. Não aprendes David. Há algo nessa áurea, nesse vento que não diz tudo e não faz nada e por isso vagueias assim destemido sem rumo, sem noção, e digo-te...muitas vezes sem cabeça. Onde andaste tu quase vinte anos David? Recua, recua, recua no tempo e diz-me o que foi feito de ti a sério. Tu lembras-te de um dia dizerem:"Ao fim de nove anos, finalmente consegui conhecer-te a sério." - foi uma vitória estrondosa David. E aquela: "Tu és um pseudo-Fernando Pessoa" - e tu que achavas que escrevias por puro divertimento sem nunca chegares a patamares assim. Chora, sim, chora que também és aprendiz da vida e nem sempre podes vencer dessa maneira. Erraste mil, só queria que emendasses mil e um. E vejo-te cair, levantar, cair, levantar, como se a tarde levasse o sol e ainda não tivesses terminado tudo o que tinhas a fazer. Não digas que não há tempo, ou que não consegues. Não digas que tudo é fraco, que consegues tudo. E sobretudo, não digas que não vales nada, que não dizes nada, porque da maneira que tu sentes a vida nunca poderá estar ao alcance das pessoas que tu conheces. Tu sabes do que falo. Só queria que soubesses do que és capaz. Não penses em perder, por amor de Deus, que isso põe-te pior. PENSA EM TI, consegues? Claro que consegues, MERDA. O QUE É QUE TU VÊS À TUA VOLTA, DIZ-ME, O QUE SABES TU PARA DITAR REGRAS ONDE NÃO EXISTEM? A diferença tem um preço, e tu vais ter de o pagar.
Descansa e não levantes a voz, que o teu mal está dentro.
Descansa e não levantes a voz, que o teu mal está dentro.
Há dias não. De memórias suadas e franjas descaídas sobre os olhos, de olhares vazios e primaveras por descobrir. Quem sou hoje para quem não me conhece de outra forma, e a pergunta resvala para o nada, para o incomum e para a insensatez, porque não temos letras assim todos os dias nem as vitórias se conquistam por puro prazer do céu. Não há estrelas e vai chover, e eu vou apanhá-la toda e vê-la escorrer face abaixo num pensamento mais indigno, mais sujo e mais conturbado que o erro é tão humano como nós somos. Nem errei neste dia de costas de voltadas, não fiz absolutamente nada. Mas elas saem - palavras para quê? - confusas e contraditórias, bem ou mal-dispostas, que tudo sente ou pensa e hoje apenas pensei. O que é gostar, e a pergunta faz sentido. O que é ter, e tudo foge por baixo do chão. Apenas é imutável e insubstituível tudo o que somos ou fazemos. Está feito, feito está. E a natureza é vaga, que ela manda em tudo o que é, e nós mandamos em quê? Não mandamos nada, a não ser que sintamos nada, sejamos vazios de tudo, e tudo se torne hipoteca de tudo o que não temos. PORRA! Que sou eu, e que faça algum sentido por amor de Deus. Mas, e tu? O que fazes dentro de mim se nunca te quis expulsar?
respondeste-me.
respondeste-me.
Vinha de tão longe, arrebitada,
a palavra dita, sufocada por dizer,
era doce e esbelta, e desfazia a cabeça,
quem nela pensava, e não sabia o que fazer.
E ela sabia o caminho, não era nova,
encaminhou anos sem fim essas palavras rimadas,
não gostava delas, eram interesseiras,
dizia ela que apenas serviam para serem mimadas.
Um dia apanhei-a desprevenida, "-Desculpa!",
e disse-lhe que o coração precisava dela,
ela contente, pulou de contente,
e lá me disse que a vida era mesmo bela.
Hoje dou-vos essa palavra,
que nada me saí com sentimento,
e a noite já vai alta,
agora e sempre, palavra, é o momento.
Mas se olho para ti e tropeço,
cai em mim essa maneira de te dizer,
o quanto gosto de ti nesse jeito,
nessa palavra que tu gostaste sempre de ler.
a palavra dita, sufocada por dizer,
era doce e esbelta, e desfazia a cabeça,
quem nela pensava, e não sabia o que fazer.
E ela sabia o caminho, não era nova,
encaminhou anos sem fim essas palavras rimadas,
não gostava delas, eram interesseiras,
dizia ela que apenas serviam para serem mimadas.
Um dia apanhei-a desprevenida, "-Desculpa!",
e disse-lhe que o coração precisava dela,
ela contente, pulou de contente,
e lá me disse que a vida era mesmo bela.
Hoje dou-vos essa palavra,
que nada me saí com sentimento,
e a noite já vai alta,
agora e sempre, palavra, é o momento.
Mas se olho para ti e tropeço,
cai em mim essa maneira de te dizer,
o quanto gosto de ti nesse jeito,
nessa palavra que tu gostaste sempre de ler.
Não se acredita, porque acreditar,
é passagem secreta numa prisão,
que ser preso é cometer crime,
quem não sente não é firme,
voz que grita, é preciso pulmão.
Subentendidas são estas,
divorciadas esperanças dessa amada confiança,
antes a piada e o devaneio,
que a realidade e o anseio,
e depois da tempestade, vem sempre a bonança?
Pedra rubi, de cores que não interessa,
és arco-íris, a chuva e o céu,
neste frio que me treme,
barco que deriva, estou no leme,
posso dar-te um beijo? levanto-te o véu.
Oh, e tudo são coisas sãs,
Margaridas, Malmequeres da natureza,
é tão pura a calma e sou,
olhar discreto e me vou,
nessa distância suave, concerteza.
(quem gosta, não esquece)
é passagem secreta numa prisão,
que ser preso é cometer crime,
quem não sente não é firme,
voz que grita, é preciso pulmão.
Subentendidas são estas,
divorciadas esperanças dessa amada confiança,
antes a piada e o devaneio,
que a realidade e o anseio,
e depois da tempestade, vem sempre a bonança?
Pedra rubi, de cores que não interessa,
és arco-íris, a chuva e o céu,
neste frio que me treme,
barco que deriva, estou no leme,
posso dar-te um beijo? levanto-te o véu.
Oh, e tudo são coisas sãs,
Margaridas, Malmequeres da natureza,
é tão pura a calma e sou,
olhar discreto e me vou,
nessa distância suave, concerteza.
(quem gosta, não esquece)
Sombras
Apetece-me brotar em mim as lágrimas de quem se ofusca com as estrelas. Chegaram a ser únicas companheiras de longas noites de sobressaltos, que nem a lua tão vistosa e imponente chegava-me para merecer ser diferente de todos os outros astros que povoavam por cima da minha cabeça (como se tivesse levado uma pancada forte e eterna). Há noite difusas que não lhes acho a verdadeira essência, nem o amor do trabalho bem feito nem a consciência das horas perdidas, e tudo é tão complexo como extraordinário, que a vida tem mesmo de ser assim também. (Tu. Razão dos meus dias). E o traços divinos dessas praças de calçada ao vento, no trotear imenso e no vácuo desses cavalos de marcha, negros e indistintos nessas trevas chamadas realidade? E as fisgas que atiram essas pedras de faces bicudas, como se fossem gente de dentes á deriva à procura da fatalidade? É tudo fardos que se carregam, mas fardos de palha que o interesse só se baseia na força génica das virtudes que já nascem connosco. (Gosto de ti). E tudo o resto são mares que florescem em tempo de chuva, nas poças da alegria, nas gotas doces de cada beijo que recebemos de transplante de pessoas que muitas vezes não tem capacidade sequer de sorrir. (O teu é o mais belo). Vivo bem sem a minha sombra, mas não sem mim.
TUDO o que és
A quem não interessa ao mundo, sobram-lhes o tempo de vivências sem sentido. Hoje percebeste o que é um mundo virado do avesso, que de avesso e novo tinha pouco. Mas a realidade muitas vezes é-nos cruel: porquê assim desta maneira? porque há coisas tão difíceis de ser?. A vida não escolhe as coisas dessa maneira e quando acontece, ou temos noção e dizemos, ou não temos e sentimos. Conseguimos tê-la e sentir ao mesmo tempo, mas somos de vértices diferentes. É tudo o que neste "sempre" de oportunidades se mostram efusivas, que vou te tendo, nas palavras, nos gestos e na verdade que me contas da maneira doce e afável que só essa tua geometria humana consegue encaixar neste coração. Não chores, que tudo o que fica é enorme, o esplendor nesses dias de luzes fracas que NÃO se apagam. Não te apagues da minha vida assim, que eu gosto de sentir. Porque antes isso que nunca ser, e ser vazio de nada. E "é ter na consideração, tudo" o que és. Tudo...
J
J
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