Sorri
Sorri!, tu!, e sorri eu na tarde em que me mostravas essas palavras de nervos à flor da pele. "-Desabafa, senão desabas." e não era nada, senti-o em ti. O carinho, que nessa fragrância luminosa faz despoletar o amor à vida, e até ao próximo, faz crescer a linha que liga as emoções à emocionalidade, e na réstia do sobretudo, faz querer de nós a impressão do mundo que sonhamos. Não existe, amargurada ou não, alto esteja ou baixo semblante, que não vibre a cada passo que dê e o exemplo de quem a segue, é a vitória de quem a lê em cada entrelinha. O mar, da razão e da insuficiência, distancia os corpos do calor da amizade que os une, porque se ontem era um virar de costas, talvez hoje fosse um virar de sentimentos. E tudo isto porque se vive, e há dias que são bons de se viver.
Belíssimo
Se és e demonstras,
Demonstra-o à lua, nessa noite de loucos,
Que nos bairros mais vadios da cidade,
Haja o perfume que espalhas como doce, aos moços.
E ninguém, nesses passeios de fim de tarde,
O sol que brilha, é teu,
E tudo se tornou mais belo,
E o meu coração aqueceu.
Demonstra-o à lua, nessa noite de loucos,
Que nos bairros mais vadios da cidade,
Haja o perfume que espalhas como doce, aos moços.
E ninguém, nesses passeios de fim de tarde,
O sol que brilha, é teu,
E tudo se tornou mais belo,
E o meu coração aqueceu.
David
Foram-se por aí às escondidas as palavras.
E ninguém as achou que ninguém queria saber.
Eram minhas e libertei-as,
Uma forma de entender.
É no seu branco, Oh! quanto pura ficas,
Que vi brilhar.
As palavras que perdi, que entendi,
Fazerem sonhar.
E nos anos que demora a desaparecer,
Os dias não passavam,
E não afirmavam,
Que desaparecer é ressentir, e deixar é perder.
Pincelei esse sono de azul,
Que pudesse dormir,
Viver, sonhar e respirar,
Amar, cantar e sorrir.
Na emoção do que mostras,
E no teu saber.
David, fala para ti:
Tu marcas e fazes por merecer.
E ninguém as achou que ninguém queria saber.
Eram minhas e libertei-as,
Uma forma de entender.
É no seu branco, Oh! quanto pura ficas,
Que vi brilhar.
As palavras que perdi, que entendi,
Fazerem sonhar.
E nos anos que demora a desaparecer,
Os dias não passavam,
E não afirmavam,
Que desaparecer é ressentir, e deixar é perder.
Pincelei esse sono de azul,
Que pudesse dormir,
Viver, sonhar e respirar,
Amar, cantar e sorrir.
Na emoção do que mostras,
E no teu saber.
David, fala para ti:
Tu marcas e fazes por merecer.
O meu cantinho
Não há dias, em noites infindas,
Que não desapareça essa alma por cativar.
E que na verdade, não haja vontade de partir,
Não da vida nem nos passos,
No sentido e de me rir.
E se o pensar tivesse geometria,
Era simétrica.
Porque ao lado de quem sofre,
Há sempre alguém que sofre também,
E na diferença descobrem que,
Na verdade, onde sofre um não sofre mais ninguém.
E neste cantinho de verdades e de prazeres,
Fecho os olhos.
Imaginando que num outro sono também,
A história seja outra,
E a largura substancial deste abrir de lábios.
Porque por mim, estar assim, não desejo a ninguém.
Que não desapareça essa alma por cativar.
E que na verdade, não haja vontade de partir,
Não da vida nem nos passos,
No sentido e de me rir.
E se o pensar tivesse geometria,
Era simétrica.
Porque ao lado de quem sofre,
Há sempre alguém que sofre também,
E na diferença descobrem que,
Na verdade, onde sofre um não sofre mais ninguém.
E neste cantinho de verdades e de prazeres,
Fecho os olhos.
Imaginando que num outro sono também,
A história seja outra,
E a largura substancial deste abrir de lábios.
Porque por mim, estar assim, não desejo a ninguém.
Lutar
No discurso, e um final em lágrimas,
Um abraço de quem venha, súbtil,
Dedicas-me a vida, és minha sobrevivente,
Sigo os teus passos, nestes pontos sem til.
Consigo imaginar os sorrisos que me deste,
E as danças que magicaste nos campos que jogámos,
Consigo pensar em ti, e o tempo andar,
Mas nunca parámos.
Não te terei, pois não?,
Indignamente, expugnaste o melhor que soube ser,
E nesses altares da vida que tanto acarinhei,
Tenho de mudar, tenho de querer.
Imagina-me apenas deitado na cama,
Debruçado soluçando cada gesto teu,
E se levanto a cabeça é porque não dói mais,
Foi "uma" luta que se perdeu.
Um abraço de quem venha, súbtil,
Dedicas-me a vida, és minha sobrevivente,
Sigo os teus passos, nestes pontos sem til.
Consigo imaginar os sorrisos que me deste,
E as danças que magicaste nos campos que jogámos,
Consigo pensar em ti, e o tempo andar,
Mas nunca parámos.
Não te terei, pois não?,
Indignamente, expugnaste o melhor que soube ser,
E nesses altares da vida que tanto acarinhei,
Tenho de mudar, tenho de querer.
Imagina-me apenas deitado na cama,
Debruçado soluçando cada gesto teu,
E se levanto a cabeça é porque não dói mais,
Foi "uma" luta que se perdeu.
Limites
Quem nunca errou em amores perdidos? quem? A naturalidade muitas vezes para quem ama é um pesadelo . E amar é ter em si uma espécie de estereótipo pronto a deslumbrar as classes com joguinhos de sedução palavreado, sedução ostentada ou simplesmente vontade própria, e em nenhum deles é certeza de vitória. Além da naturalidade, afecta muito o número de tentativas de quem não ganha capacidade de desistir - e o "não ter nada a perder" é como que um camarão por descascar - e incutem-se a si próprios uma lei vital: "ela tem de ver que gosto dela" e acaba-se assim por perderem anos até de uma vida inteira a massacrarem o seu tempo útil e ninguém lhes dá um prémio que o fizesse mais famoso. Eu acho, porque achar também é segredo, que a humanidade é isto, e tudo o que fazemos confina-se a um caixote limitado de opções e assim inventamos filosofia suficiente para sermos "felizes". E olhar para mim e admitir-me em erros e virtudes, é também limitar-me, não fosse os bobos da corte, o amor-próprio e a paciência dois animais por domesticar. O que me custa mais nisto é saber que a crise não existe, mas sim a desigualdade, e andamos dias e dias a pensar que o amanhã será passado com alguém quando muitas vezes olhamos para trás e passou-se meia vida que perdemos irreversivelmente. E achar que no Mundo, até esse é limitado, não passa do planeta azul com vida como um cubo de gelo que derrete aos poucos. Eu perdi muito e perderei ainda mais, mas não me sai da cabeça que nada disto será novidade e muitos menos me espanta o escãndalo, a sobrevivência e a mega-intuição, e se assim for digam-me que baterei palmas e ponto final.
Cala-te
Nas doces palavras, equiláteras, sonoras, rangeram os sonhos de possuir esta vontade anímica de te escutar ainda mais. Parecias uma boneca esbatendo-se em agudos, e na verdade confundi-te com a voz do vento que percorria pelas costas em vagas mecânicas. Parecias sempre perto da verdade, muito mais do que queria mesmo ouvir, mas na inteligência tu fugias como quem foge do ladrar feroz dos cães, e eu ria-me, e tu também. Quis virar-me para ti: tocar-te num milímetro quadrado que fosse dessa tez, que numa estupidez até disse que tinha High Definition e chamaste-me tudo o que um tolo merece ouvir. Sempre nos rimos. Porque não parar para fechar os olhos também; falámos nisso, bem sabes, e tenho a astuta sensação que tem de acontecer hoje num agudo teu que mereça ser reparado.
(...)
"-Cala-te!" não mais te aguentei.
(...)
"-Cala-te!" não mais te aguentei.
Fogo que arde...
Senti ao longe a dor de já não te ver,
Fechaste as portas, fechaste o ser,
Selaste os olhos, com a força de te ver,
E querer.
As alternativas, racionais,
Nem pensei nisso, não sonharia,
Que num pé viesse,
Num outro viria.
Céus! De que é feita essa beleza,
Desse sol que te arranca um sorriso,
Desse mel amargo que és feita,
Desse olhar submisso?
Guardei-te no bolso,
Antes fosse no coração,
Ardi por hoje em busca de ti,
Queimei-me, e nunca mais me vi.
Fechaste as portas, fechaste o ser,
Selaste os olhos, com a força de te ver,
E querer.
As alternativas, racionais,
Nem pensei nisso, não sonharia,
Que num pé viesse,
Num outro viria.
Céus! De que é feita essa beleza,
Desse sol que te arranca um sorriso,
Desse mel amargo que és feita,
Desse olhar submisso?
Guardei-te no bolso,
Antes fosse no coração,
Ardi por hoje em busca de ti,
Queimei-me, e nunca mais me vi.
Valores
Começa a marcha no lento olhar que me lanças, e vou escorrendo no suor na esperança que me encontres. Encontrei-te, daí saber quem és mas não sabes tu e vivemos na ignorãncia, nesta troca de não sei quê que nos levanta as antenas e nos faz suspirar. Para os derrotados e indecisos há sempre oportunidade, para os vencedores aclamação. E em todos eles o conceito de vida estampa-se na vontade de cada um fazer por si, o que talvez imaginasse os outros fazer, daí dizer-se que ninguém é possuidor da razão. Confio por ser comensurável e aí continuar a acreditar que há pedras, sobretudo, para se fazerem castelos e que o lugar que cada um ocupa é único e paga-se com a sua humanidade . Isto tem valor, tudo o tem claro, mas só o vê quem o é.
Pedras
Pedras,
Num fulgor desesperado, exasperam,
Afunilam a voz no grito da desordem.
Ouvem-se passos,
No mármore branco a latejar,
Pára e recomeça,
Irá voltar.
Pedras,
Que te pisam, sujam e maltratam,
Estrangulam-te a essência e beleza do teu ar,
Foste nova, envelheceste,
Conheces a sabedoria melhor que ninguém,
Na estrada, sei bem do perigo: não tenho saída,
Tens de me carregar.
Num fulgor desesperado, exasperam,
Afunilam a voz no grito da desordem.
Ouvem-se passos,
No mármore branco a latejar,
Pára e recomeça,
Irá voltar.
Pedras,
Que te pisam, sujam e maltratam,
Estrangulam-te a essência e beleza do teu ar,
Foste nova, envelheceste,
Conheces a sabedoria melhor que ninguém,
Na estrada, sei bem do perigo: não tenho saída,
Tens de me carregar.
Pescador
O barco, atracado no porto,
E quem está dentro,
Lutam nas redes, como a vida,
E as suas esposas, desconsoladas, guardam-na no ventre.
As águas paradas, e o cheiro nessa maresia,
No gasto das pedras, sentei-me,
Quis abrandar a lentidão,
E lembrei-me.
Lembrei-me do que traz à tona,
E não faz o mar andar,
Lançam-se pedras, e risse abertamente,
Criança que foi e poderá sempre voltar.
Um sorriso, nas pequenas vísceras memoriais,
Olho e sinto que muito pouco mudou,
Crescem na verdade e na inocência,
E me deslumbrou.
Ouve-se o zumbido agudo do pescador,
Soltam-se as amarras, e o preto do fumo solta-se no ar,
Lanço um adeus de braço levantado,
Sei bem que vão voltar.
E quem está dentro,
Lutam nas redes, como a vida,
E as suas esposas, desconsoladas, guardam-na no ventre.
As águas paradas, e o cheiro nessa maresia,
No gasto das pedras, sentei-me,
Quis abrandar a lentidão,
E lembrei-me.
Lembrei-me do que traz à tona,
E não faz o mar andar,
Lançam-se pedras, e risse abertamente,
Criança que foi e poderá sempre voltar.
Um sorriso, nas pequenas vísceras memoriais,
Olho e sinto que muito pouco mudou,
Crescem na verdade e na inocência,
E me deslumbrou.
Ouve-se o zumbido agudo do pescador,
Soltam-se as amarras, e o preto do fumo solta-se no ar,
Lanço um adeus de braço levantado,
Sei bem que vão voltar.
Rapariga
Palpitou-me na verdade vê-la daquela maneira. Não era preciso a desnudez e muito menos a sensualidade falsa que caracteriza, e o sorriso fez parte das profundas memórias que quis guardar. Limito-me ao seu traço, infímo, curvilíneo como o seu corpo. Aquele brilho a meio lábio, aquela geometria arquitectada, aquele fechar-e-abrir que me leva como seta a apontar-lhe o desejo e a vontade de querê-los. E o seu olhar? Oh que maldade me fazerem isto. Que olhos, que por detrás do preto agudo dos óculos me olham e me perco. E o ondulado perfeito, no sobe-e-desce no comprido de cada fio que lhe apraz a beleza que é tão estonteante e me deixa enraizado ao chão que piso. Virou-se, neste pôr-de-sol brilhante e segui-lhe os passos - até o andar, até o passeio que faz ao mundo - e ao longe, na minúcia de uma miragem pronta a desaparecer, relancei o meu passo e não mais me esqueci.
Viagem sem fim
Virara nessa noite,
O dia.
E de todas as possibilidades de sentir,
Ressentiu-se dessa alegria.
E olhar lá fora, de dentro do espaço semi-cerrado,
Neblina taciturna,
E um nó que te atravessa, dilacerado.
E perguntas ao silêncio, o que conseguiu escutar,
Desprezou-te,
Fraqueza que te fez alimentar.
A amargura das noites de boémia,
Virando estátua ao mundo,
Virando noite, enfim,
Nesse dia sem sol,
Nessa viagem sem fim.
O dia.
E de todas as possibilidades de sentir,
Ressentiu-se dessa alegria.
E olhar lá fora, de dentro do espaço semi-cerrado,
Neblina taciturna,
E um nó que te atravessa, dilacerado.
E perguntas ao silêncio, o que conseguiu escutar,
Desprezou-te,
Fraqueza que te fez alimentar.
A amargura das noites de boémia,
Virando estátua ao mundo,
Virando noite, enfim,
Nesse dia sem sol,
Nessa viagem sem fim.
Um dia como sempre
Eram ruas cheias de gente,
Eram surpresas de gente amada,
Hoje, na esperança de ver tudo,
Não vi nada.
Quis este mundo, sobretudo nesse amor,
Que o céu se escondesse mais,
Nem sempre os passamos bem,
Nem todos os dias são iguais.
Nessa estrela, dourado de veludo preto,
Nessa imagem, eclipses esvoaçam como turbilhões,
Esvoaça a emoção por um dia ou dois,
Esvoça a vida e as emoções.
É poder, calado e subtil,
Ouvir o meu nome cantado,
E olhar, nessa lágrima que me espera,
Emocionado.
Faz-me falta ter a certeza,
Que na rua onde passo, delicado,
Vou ver novamente as luzes que desciam do céu,
Em tons dourados, em veludo preto, por um bocado.
Eram surpresas de gente amada,
Hoje, na esperança de ver tudo,
Não vi nada.
Quis este mundo, sobretudo nesse amor,
Que o céu se escondesse mais,
Nem sempre os passamos bem,
Nem todos os dias são iguais.
Nessa estrela, dourado de veludo preto,
Nessa imagem, eclipses esvoaçam como turbilhões,
Esvoaça a emoção por um dia ou dois,
Esvoça a vida e as emoções.
É poder, calado e subtil,
Ouvir o meu nome cantado,
E olhar, nessa lágrima que me espera,
Emocionado.
Faz-me falta ter a certeza,
Que na rua onde passo, delicado,
Vou ver novamente as luzes que desciam do céu,
Em tons dourados, em veludo preto, por um bocado.
Metafísico
Houve, algures em naturezas mortas, o desejo de rejuvenescer. Houve, porque o haver era futuro descomprimido, libertado, e até o meu acreditar, porque acredito, tudo era o que já não é. Hoje tudo é trágico quando é inesperado e não se espera. Por mais que fossem polémicos, astutos e ordinários. Por mais que fossem indecentes, culpados e criminosos, a incredulidade existe se é inexorável e com total transcendência. É poder admitir que acho a metafísica um "Óscar" para melhor actor porque representa em palco mas não é verdade, nem existe, é tudo encenado. Metafísico é entrar em campos obscuros e ultrapassar as barreiras normais dos dias tentando esquecer que elas têm "alguns" problemas - como o teatro. E assim esquecemos que a importância disto tudo se resume ao remar natural da história, para que nem tudo o que seja inesperado seja metafísico, nem que sejamos nós os próprios indecentes da nossa própria Vida.
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