São meras recordações
Segue em frente!
(apeteceu-me escrever algo fictício, como sempre, e esta justificação surge no facto de que era demasiado sórdido que pudesse escrever algo assim quando a na verdade não aconteceu. Tem outras saídas, as que quem lê quiser.)
Racionalmente
Seguir!
Efémero.
Sê tu mesma,
E deixa que te flui na alma uma pureza que não há,
E deixa ser fé e tristeza,
Sinal de esperança.
E quando puderes olhar o Mundo com dois olhos,
Que não seja tarde demais,
E o Mundo teria mudado...
I CAN
Um olhar profundo que não engana,
Tenho gravado na memória o passado,
Que brota do coração, que em mim emana.
Há tantos exemplos de como ser herói,
Para quê enganar com o sofrimento se não sofremos,
E da porta para fora que tantas lágrimas correram,
É estúpido muitas vezes o que dizemos.
Eu choro e ninguém me tira isso,
A minha alma, que ninguém a tem, é enorme,
E porque caiu e volto a levantar-me,
Enquanto alguém no Mundo apenas come...e dorme.
Não mereci muita coisa se a pude ter,
E o trabalho que tive, teria de ser mais exigente,
E hoje luto, e quero ser herói,
Menino-Homem, gente.
E se porventura acharem que não são ninguém,
E nesse dia não houver a quem suspirar,
Levantem-se e caminhem...
Estarei lá eu para ouvir e para vos amar.
Um sorriso
Nem a velocidade das pessoas,
Talvez a alegria de uns e a tristeza dos outros seja veloz,
Mas nada as contém até serem deitadas abaixo a uma velocidade ainda maior.
Não é triste nem melancólico o que possa dizer,
Não!
E crer que em cada estrada há memórias para guardar,
Em cada almofada um sonho para explorar,
E aqui estamos, muitas vezes esperançados em encontrar algo por fazer.
As palavras que magoam, suscitam lágrimas ou planos e ambientes descoloridos,
E aí há razões para relembrar o passado que não foi bom,
É negro pensar assim não é?
E no fim restará para os emotivos a pena e o arrependimento,
Para os outros, desprezo e insensatez.
Quem não sofreu do mesmo?
Que vida! Que Mundo! Que sina!
Talvez nessas viagens que faço aos túneis da amargura, e aos doces e ternos saberes das virtudes,
Talvez, sim, encontre pessoas que hoje procuram o que se esqueceram de querer no passado,
E talvez, porque nem nessas coisas posso estar certo, encontre gente com a mesma vontade de viver,
De quando perderam a cabeça para se tornarem pessoas realmente desprezáveis.
E hoje vou observar ainda mais, pensar ainda mais, e sorrir ainda mais,
Porque mesmo que não seja bonito um sorriso meu...
...alguém vai precisar dele.
Nada aconteceu
Doses de boa sabedoria havia de aparecer,
E aprender um bocadinho do pouco que existe,
Não se pede mais, meus amigos, a não ser de comer.
Choravam arrependidos, na languidez sóbria,
Os velhos muros que nos separavam,
E alvos seríamos em tempos por coisa nenhuma,
Era assim que os outros pensavam.
Aqui estamos, na corcunda da nossa vida,
Olhando ao pouco tempo que aqui passámos,
Vejo nesses olhos uma tara perdida,
Nesse castigo solene que não beijámos.
Nem sei
Consciência vazia
Nas vagas ondas que ia rebentando, em todas elas havia uma prece para contar. Parecia contextual a minha presença e arriscava-me até a dizer que era necessário estar ali para as ouvir. Certamente tinham os seus desabafos – eu também os tinha. E era tão simples a capacidade de emanar nas suas entranhas uma calma aparente, uma paz de espírito que me permitia ter margem de manobra para encontrar resposta para tudo, gesticular com o vento e imaginar-me noutras virtudes que o futuro havia de me mostrar. Sou um amante da vida que facilmente me apaixonei. Não resisti ao seu encanto e bem lá no fundo, mesmo sabendo que nem sempre a vi desta maneira, sei bem que tinha tanto para dar...e para mostrar. Bem espero nessas paragens que se fazem não me arrepender do tempo que fui, e não ter a mea culpa por coisas tão impróprias, e se calhar tão aberrantes, que não as possa demover da minha (por vezes) consciência vazia. Por isso navego nas tonterias da minha cabeça e vou sorrindo como um perdido, talvez porque nos falta montar o circo psicológico e rir das palhaçadas que vamos revivendo em cada esquina que pousamos os pés. Não há regras sem excepções e não há maré que cheia, não vaze.
Exemplo
Uma coisa de cada vez
Na efemeridade de cada momento, vamos sendo um ser de cada vez, e mais distantes em tudo o que somos. Esse distanciamento, quase que roda da desvirtude, é uma falta de bom-senso que a idade nos faz sentir e que vai desaparecendo. Não, não é a idade que temos que essa ainda é tão pobre e vazia mas aquela que derruba a barreira entre os anos que foram e os anos que são na verdade. Nestas coisas de escrever com a alma faz-nos largar a bagagem toda, tropeçar no tempo e esperar o resultado que há tanto, sem pensarmos muito, já sabíamos, já que na vida existem dois estereótipos do mesmo sentimento: os que sentem e os que não sentem, e por aí, não sabendo tão bem que já valia a pena ter vivido e sendo fáceis, somos ainda mais para complicar e desentender o que seria supostamente certo ou o mais correcto. Por isso fico-me onde estou, em mais uma caminhada entre o cauda do desnorte e a ponta da esperança, que caracteriza os dias que mesmo mal vividos, resistirão à sua irreversibilidade.
Sou o que puder ser
Fui abastado da vida,
E nas ruas que se cruzavam, dormitavam nuas,
No laranja sombrio da luz nas calçadas,
Vagueavam medrosas como as luas.
Senti descarregadas as forças,
Forças de expressão que ninguém sente,
E vem, como enxurradas, à sina da ribalta,
Os lampejos da orla do dia,
Sucedido sejas se na vida vais alta.
É um carisma que fica,
E nessas conversas que se ouvem, aprende-se,
Que as notícias que correm, precedentes,
Depressa se sentem,
E abrem feridas entre as gentes.
E esse ouro que falta, e causa a separação,
Prematuros são os que intentam desaparecer,
E se algum dia melhorar os ventos,
Que melhore as pessoas,
E os seus sentimentos.
E se, porventura, eu for mais alto,
Que ninguém siga as minhas passadas,
Porque dentro de mim, o poeta que me fiz,
Só as letras posso sentir,
E todos têm oportunidade de ser feliz.