21 Dezembro 2009
Escrito por
David Marinho
Sente-se quando grito de peito aberto essas palavras, devaneios, por entre espaços descontínuos das pedras dessa estrada desolada? É que grito a viva voz, nessa já rouquidão do tempo que os ponteiros do relógio andariam depressa - quero ouvi-lo...tic-tac, tic-tac, quero senti-lo cardíaco, compassado, (música). Não proíbo mas evito essa hora certa para tudo ser e acordar-me de um sonho bom (não, não me vão fazer isso) que antes disso já eu me ria com quatro horas de olhos abertos a pé, nessa madrugada fria de coração gelado. Não oiço esse relógio, passou a ser electrónico, a ser luz carregada dessa energia que tenho de pagar (pagar para ver as horas!?). O coração não funciona a luz, nem a pilhas, dizem que o estraga demasiado depressa. Fecho essa caixinha de desejos - espera, deixa-me tirar o último chocolate - agora sim, que faz quatro horas e qualquer coisa que oiços os outros ressonar (e o relógio?...Oh, deixa-te disso!). Vive como um, mas não como um ponteiro. Tenho vidros duplos, e quando o abro desalma por esse vendaval toda a tempestade que se aparenta forte, e quando o fecho, fecha-se o silêncio em si. Daí o coração ter janelas (mas os ponteiros ouvem-se, e agora?). Sente-se quando grito? É porque a alma tem espelhos, e estes não falam.
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3 Comentário(s):
gosto do teu blog assim, esta' sobrio :)
e gosto sempre do qe escreves. e de ti! *
*.*
Gostei mesmo muito :)
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