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10 Dezembro 2009

Era dia de pensar que esse não paga adiantado. Foram passos inúteis daqui para fora, nessa paragem no tempo sem rumo algum. Arruaçava a brincadeira no nevoeiro puro da manhã, tempo de sonos, de almofadas e silêncios a ressonar. E eu não pararia sequer para beber água - como se pensa tanto assim? como? - como se tudo fosse possível dessa maneira e de todas as outras que desconheço. E o ritmo das pedras que dançam por debaixo de nós, como pirilampos de mármore que só brilham no escuro do que se pode imaginar. Era dia de pensar que não há dias certos. E nada se passou tão exacto que não pudesse antes ter sido arrancado a ferros, como se fossem primaveras presas no gelo ou mesmo nuvens embaladas nos congelados de qualquer mercearia. Desculpem ter achado que até as nuvens, pobres coitadas, são alimento para o Mundo. E para quem não tem, muitas vezes nem as nuvens. E hoje, hoje que tudo era se acontecesse, nada foi, nada houve, nada se passou, porque se abro a porta da rua e encontro a novidade, se não a abrir, a novidade sou eu e isso depende de mim. Só.

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