05 Novembro 2009
Rio das memórias
Escrito por
David Marinho
Pousava sobre mim a neblina das manhãs sonolentas, e passava na ponte sobre esse rio das memórias, hoje vazia nessa maresia entristecida, nessas brincadeiras na lama esquecidas que nem a praia que morrera se escapa ao desenrolar (a)normal da vida. Hoje bateste-me forte no coração. Por mais que a década continuasse a ser dez anos, o tempo multiplicou-se e estendeu-me na areia que só na tua companhia fazia sentido. Partiste nessa viagem sem rumo, e eu contínuo a tua tarefa por aqui, neste vai e vem de dias e noites que só o segredo sabe que me cansa. E cansa-me pensar(-te), amar(-te) no vazio, desfazendo-me nessa lágrima que corre suada e vai morrer como morrem as ondas do mar. Mas não morreste, e guardei-te. E magoa-me guardar(-te) porque se coubesses no bolso andaria sempre de mão dada contigo. No coração, sirvo-te a varanda para o mundo que deixaste de sorrir. Contigo não havia rotinas e é assim que a vida vai dando as voltas.
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4 Comentário(s):
memórias.
a melhor forma de guardar os maiores tesouros da vida. fotografias mentais que podem significar tanto quanto ouro.
:) love your writting, like always
as rotinas da vida... é sempre o que nos dá uma segurança tão insegura !
gostei :)
"Mas não morreste, e guardei-te. E magoa-me guardar(-te) porque se coubesses no bolso andaria sempre de mão dada contigo. No coração, sirvo-te a varanda para o mundo que deixaste de sorrir. Contigo não havia rotinas e é assim que a vida vai dando as voltas."
Citar isto é citar MUITO POUCO. escreves divinamente. Lembra-me de nao me esquecer de ti, de te ler sempre.
Francamente BELO E FRANCAMENTE SUBLIME.
Apenas isto: não hipotecar a vida por mais belo o anterior viver...
Aquele abraço
é incrivel como consegues ser sempre tu, como consegues transparecer tão bem tudo o que sentes para palavras.
fantástico, poeta do meu coração.
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