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01 Novembro 2009

Quando o telefone toca

No único café onde podia estar, era o da esquina entre a Rua Junqueiro e a Avenida dos Libertadores em plena cidade natal. Não que não houvesse nada para se ver, ou sentir porque o mais novo daquela gente toda era eu e assim vivi até hoje. Revoltava-me que os jovens daqui se fossem todos embora, que deixassem tudo para trás em busca do melhor e do pior, e eu que nunca entendi o porquê, e por saber que a vida estava difícil ia logo feito lambão estender-me ao comprido nessas cidades gigantes que nunca dormem? Não, mil vezes não.
"-Sabes quem morreu?", e voltava à baila a pergunta cismada de quem só lia o jornal para ver quem tinha morrido. "-Não", respondi eu. Claro, por mais interessante que achassem que era ver gente conhecida que só aparece uma vez na vida (e nem sei como lhe chamar, já que faleceu) nessas páginas a preto-e-branco, achava que devia mesmo era preocupar-me com os vivos que esses ninguém se dava conta. Nunca fui de gostar de coisas previsíveis, reincidentes, e achei sempre uma completa estupidez ter de comentar o que à partida já se sabia as consequências: "-Lembras-te do João? A filha dele ao que parece vai ter um filho", disse-me a mim. "-Oh António, já teve 3 filhos.", suspirei. E esta era a verdade que valia a pena saber.
A minha casa era o meu pequeno mundo de 2 assoalhadas. Sem mulher, sem filhos, uma vida pouco dada à boémia e com um enorme sentido de responsabilidade. Era limpa, cuidada que o tempo ajudava-me nisso, mas o sentimento cá dentro, o cheiro pestilento a saudade invadia-me o pensamento num quase profundo pesar e mesmo que soubesse a tal consequência, não podia jamais viver na sombra do que foi e que não pode ser. O telefone tocava, deixei-o estar. Parecia impossível não ter uma chamada que me prendesse a atenção, que me deixasse estar aterrado durante largos minutos com um sorriso bem real, que não metafórico.
"-Tenho saudades tuas, David!"

17 Comentário(s):

Marilena' disse...

Muito bom :)

ana cristina disse...

que lindo :D

disse...

E eu que tinha saudades de te ler, tantas.

Margarida Sousa disse...

texto giro... quem escreveu?! ^^foste mesmo tu?! "tenho saudades tuas, david!" deixa-me a pensar no facto de teres sido tu a escrever ou não! =$

*miminhos

filipa disse...

Gostei :)

Violeta disse...

AMEI...

pena teres uma visao da tua vida futura assim..nao iras ficar sozinho nao...e esse telefonema ira surgir sim....

um grande beijinho

tenho saudades tuas, david =D


amei o novo look do blog ta a tua cara

beijo grande
boa semana
adoro-te

Sonia Pallone disse...

Querido, que lindo... existe uma infinidade de coisas que tem graça, cor, sabor...Uma delas é vir te ler, acredite. Bjs.

Anónimo disse...

Davidá, está profundo o texto. :')
Obrigado por tu, rapaz!

Beijinhos.

filipa disse...

Acredito de verdade que nada é para sempre, e isto chegou ao fim !
beijinho*

filipa disse...

Sim :) beijinho*

filipa disse...

Que querido david :)

filipa disse...

Nada comparado contigo :)

filipa disse...

é tudo verdade :b

filipa disse...

Tu não és nada querido, queres ver :b

filipa disse...

até parece david :)

filipa disse...

não tenho o mail :$

ci disse...

gostei :)
beijinhos.