Suspirei, e o vapor desses invernos rigorosos soltou-se tapando-me a visão. Sei que voltaste a aparecer, toda a gente aqui dizia isso, e eu não fiz caso: "-Oh vizinha deixe-se disso, não vê que ela quer fruta madura?", "-Oh rapaz, toda a fruta amadurece.", dizia-me ela. E fui para casa e juntei-me à lareira. Ao ver o meu primo, perguntei-lhe:"-Como aguentas a tua vida, sempre calado e sempre no teu canto?" - e ao ver-me, sentou-se e olhou-me nos olhos:"-Nao tenho preocupações nem amores perdidos, não os tenho simplesmente. Às vezes acho que o amor engana as pessoas e as deixa noutra galáxia e a verdade é que a vida não está para se perder as pessoas. São precisas cá, não lá. E ao menos no meu cantinho não apanho o frio das desilusões, como tu apanhas, que às vezes até me dá dó rapaz. E lá tenho tudo o que é meu e espaço para pôr o que preciso realmente, e tu que espaço tens? Para a melancolia e murros no estômago? Para as lágrimas que devem-te deixar seco por dentro? Deixa que a vida corra, como eu faço, e olha que eu não me canso e vivo ao sabor dela. Comandá-la? Nunca. Quero que seja imprevisível e que tenhas as respostas e emoções que deve ter. Não como tu, que a tua organização é saberes o que vai acontecer a seguir. Gostas que te expliquem o fim? Eu não gosto. Áparte disso, vales a pena.". Fiquei abismado com a resposta, e assaltaram-me perguntas que nunca tinha feito. Chorei. Tinha acabado de receber o tal murro no estômago e ele tinha razão. Que era feito de mim? De que material era feito? Ele conhecia-me melhor que eu mesmo, não podia ser possível. "-Ah e já agora, no teu lugar, deixares que te fuja da mão a oportunidade não era a melhor solução.", "-Achas que consiga?", "-Arranja espaço para isso!", e soltei um sorriso de esperança. Quando saí de casa e olhei nesse frio que me arrepiava o mal já estava feito.
***
Abro a porta da igreja, onde todos rezavam, e ao vê-la, e ao verem-me com olhos fisgados para me bater, não me contive:"-Sabes, tenho saudades tuas!". Olhou-me com o mesmo brilho dos tempos da inocência. "-Não consigo evitar-te, merda! Onde passas, deixas rastilho desse perfume, dessa alegria. Oh! (suspiro) se soubesses o que tenho sido. Um nojo rapariga, um nojo! Não há nada de novo nesta terra - DEIXAM-ME FALAR? MATEM-ME DEPOIS, NÃO AGORA!!! - E olha, eu sei que me deves ter um pó desgraçado mas pelo menos deixa-me abrir a porta do meu desabafo que guardei durante muitos anos. Tu sempre foste aquela...", "-Aquela?", perguntou-me. "-Sim, aquela. Eu amo-te, eu...sei lá. Fazes-me falta, e posso até nem ser nada de especial. E sim, também não tenho o carrão que tem o teu vizinho que tu gostas muito, Grrr....de qualquer maneira completas-me e se tiver a mentir, estando aqui nesta casa, que Deus me castigue!", e as pessoas olharam para o ar à procura que fosse verdade esse castigo, mas...nada aconteceu.
Saí de rompante da igreja, de coração sobressaltado mas pelo menos com a missão cumprida.
"-David, espera!"
27 Comentário(s):
oh que sentimento grande guardado :) deve ter sido recomfortante deitar isso tudo ca para fora. O
teu primo tem em muita razão nas palavras que usa, mas as desilusoes... tudo isso faz parte do que nós somos, crescemos enquanto individuos.
Hum... sabe tao bem, sentar-nos ao lado de um outro alguem contar a melodia que tanto nos aperta o coração.
beijinhos :)*
Claro que não, porque a felicidade é feita de tentativas (;
Gostei imenso David :)
hum, gostei entao de qualqer das maneiras :)
nao :b sou de lisboa, mas tou estudar em évora (melhor dizendo vou, porque apenas entro no 2ºsemestre eheh foi uma opçao pela publica )
pela curiosidade tas em que curso? :)
senhor engenheiro eheh
gostei tanto :'O
gostei mesmo *
sim sim tenho noção :)
bem bom ser caloira, ja deve haver saudades da tua parte ahah
apenas verdadeiro querido :)
ja tinha reconhecido pelo pinhal novo :) isto de ser da margem sul, cuidado ahah (brincar)
não é assim tão perto :b
sempre fui daí, apenas passo agora mais do meu tempo em lisboa :)
apesar das minhas recordações todas estao ai :/
agora sobre o blog, ficcionas a realidade? transpoes todos teus sentimentos para uma ficção?
espero que ela volte :) *
interessante :) os meus sao bem reais (in)felizmente. mas nao me lamento nada, nao me arrependo de nada :D
Obrigada... tantos que gostavam de ser livres. Aliás, nós vamos sempre viver presos fisicamente.. a sociedade assim o ditou. Mas acho que posso ser sempre livre de espirito e de alma. =)
adorei este texto... que grade sentimento, han?
deve ser dificil muitas vezes.. mas como li aqui em cima, a felicidade é feita de tentativas!
***
Tenho as minhas portas abertas para tudo. Agora, venha o que vier, cá estou eu.
Hoje estou mesmo com um bom feeling (;
Beijinho, poeta (;
mais viram, mas nao com a mesma pessoa :/
SINTO-ME mais bonita assim (:
obrigado querido :) é o que ando a tentar, esta-se a tornar mais fácil aos poucos felizmente, pois o que ele deveria ter feito á pessoas a quem chamamos amigos qe fazem por ele. vou ser sim. e tu também ! :D
E esse teu espírito também me dá um bom feeling, tal como a tua foto com aquele grande sorriso (:
Parece que sim (;
Talvez, mas acredita que esse grande sorriso, faz-me ficar bem disposta cada vez que cá venho, incrivel , poeta (:
Obrigada, obrigada (:
Este texto está forte, muito forte mesmo.
E adorei cada palavra, cada situação :)
Beijinho`*
Sabes o que me apraz dizer?
David, tenho saudades! :)
Já me tinha esquecido de como escreves bem e de como tenho inveja por estar presa.
Beijinho!
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