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26 Outubro 2009

Puro

Caía docemente sobre os ombros esses flocos de neve definidos como pombas brancas, que esvoaçam nesta noite típica de Inverno. Vou deixando em cada pegada o rasto da pessoa que sou, e a conhecer-me, todos saberão onde fui e não me perderei nunca dessa distância física das coisas. Por dentro, em cada passo, renasce esse turbilhão e mordidelas nervosas no lábio que pede sensatez e sobriedade em cada acto puro do que faço. É o frio que acalma esse borbulhar quente das emoções, que nao desculpa esse tremer exacto de cada poro da pele e não sente nada nem ninguém. Deixo cair, nessa lentidão desleixada, o branco da camada que se formava no casaco e no cabelo enregelado. Era tudo tão puro, nem o verde das árvores se notava, nem o castanho do caminho de terra, nem o laranja dos telhados ou a cor das casas. Branco, branco e mais branco como se todo o mundo fosse feito de algodão (como as nuvens) e fosse puro, imaculado e objectivo. O céu, esse, continuava a ser azul.

3 Comentário(s):

Marilena' disse...

Lindo :)

☆ Feitio'zinho ☆ disse...

Tens um selo no meu blog ;)

Vai buscá~lo*

BeijinhO :D

Adryanne disse...

Eu gosto do amarelo. :x