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22 Outubro 2009

Pensamentos

É de peito aberto que vos abro as portas ao mundo que me conheceu. Hoje, na calma do que é ouvir o bater puro do coração, num olhar sincero e iluminado perante todo o desespero que contorna as rotundas da memória, num gesto terno e verdadeiro aos tantos que vamos aprendendo por aí. Abro-vos neste cantinho só meu, que admirei-o durante anos como se fosse membro mais novo da família que construí. Acostumei-me a esse virar no modo de vida e a acrescentar pontos em tudo o que me fazia tremer e até hoje consegui fazer das tripas, coração. Perco-me no sono, de cabeça encostada junto a esse Tejo bravo, nessa chuva divina, fazendo de mim profundo conhecedor do que traz à tona e refaz toda a minha maneira intimista de viver. Penso muito. Sonho muito.E já chorei mais. Não faz sentido o parafuso que nos falta ou simplesmente as palavras que caem em desuso. O conforto é muitas vezes o ócio que a vida demora tempo a ultrapassar. E ninguém se preocupou com isso, com as ínfimas coisas que levam às macro-qualquer coisa e nada se sustém no ar só porque se lança um olhar confuso no objecto-alvo que se quer. Sou em algumas coisas o desperdício, e sei que o sou por saber demasiado os limites da fera e do raio de acção. Sou livre que a expressão é democrática, embora não sem antes ser a sodomizada pelas bocas absurdas de quem as manda porque ter a boca fechada é talvez sensatez ao lado dos momentos que não trazem as palavras sentido da realidade. É preciso mais, e fui sempre de fazer as coisas assim. Abro os olhos para que vejam que aqui estou, que aqui existo e que sou uma pessoa normal. Que não vejo mácula em tudo o que é rancor e muito menos inveja a quem a tem. Sou quem escreve o que me vai na alma, que a força nos dedos e no pensamento, que nas feridas ou devaneios do coração persistam a grandiosidade do que é a língua e a cultura da minha amada pátria. Costumo inventar e hei-de morrer com esta: ter muito ou ter pouco, antes viver por mim que viver por outro.

4 Comentário(s):

Débra disse...

está muito bom este texto :)

Daniel Silva (Lobinho) disse...

CLAP CLAP CLAP

Sério. Ler-te é um fantástico prazer. As próprias palavras são poéticas.

Abraço. Gostei MUITO, mais uma vez.

ana cristina disse...

está lindo, adorei :)

Marta Rosa disse...

lindo *