28 Outubro 2009
Ilusões
Escrito por
David Marinho
Borbulho por dentro. Nesse desafogo, nessa correria, nessa loucura infernal que me percorre o sangue nas veias, em alta rotação em súbitas voltas e contravoltas, rodopios e joguinhos de sedução. Olha-me, como se esse olhar quente e vaidoso me atraisse da cabeça aos pés. Toca-me a alma numa ponta milionésima dessa chama que emanas, desse fogo que susténs em cada pedaço teu deixado ao arrasto em ruas por onde passo. Sinto-te como se nada houvesse além do sol posto que se põe em todo o lado, em cada luz que se acende na metrópole, em cada lua que não são só quatro, em cada caminho, em cada pedra, em cada monte, montinho e montanha, em cada décima da raíz infinita do número mais complexo que nem eu nem tu conhecemos. Vejo-te particularmente, como se fosses àgua no deserto, - e olha que tenho sede -como se fosses notícia que só eu lia, relia e folheava numa página só. És a graça das piadas, e o sentimento nas emoções, és a premissa das filosofias e a maior e mais bonita rosa (como a dos ventos da geografia), que me guia, que me dita, que me explica e suplica, que me falta em cada gesto necessário à sobrevivência, e ao triste fado que todos pensam ter. Aparte disso, fora de mim é nada para o que vivo por dentro.
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4 Comentário(s):
Brilhante texto...escrito com uma alta dose de sensibilidade.
abraços
Hugo
qe bonito =) *
ha' uma coisinha para o teu blog no meu cantinho, espero qe gostes :) **
Porquê ilusões ? Se se tratam de palavras verdadeiras sobre um sentimento único, apesar de poucos o alcançarem, ou pelo menos conseguirem defini-lo tão bem, tão à maneira dele, como se o próprio sentimento falasse por si. Como se ganhasse vida e forma neste texto. Não se tratam de ilusões, tratasse de concretizar o terceiro passo, passar das letras às palavras ditas !
Gostei. ;D
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