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05 Julho 2009

Rapariga

Palpitou-me na verdade vê-la daquela maneira. Não era preciso a desnudez e muito menos a sensualidade falsa que caracteriza, e o sorriso fez parte das profundas memórias que quis guardar. Limito-me ao seu traço, infímo, curvilíneo como o seu corpo. Aquele brilho a meio lábio, aquela geometria arquitectada, aquele fechar-e-abrir que me leva como seta a apontar-lhe o desejo e a vontade de querê-los. E o seu olhar? Oh que maldade me fazerem isto. Que olhos, que por detrás do preto agudo dos óculos me olham e me perco. E o ondulado perfeito, no sobe-e-desce no comprido de cada fio que lhe apraz a beleza que é tão estonteante e me deixa enraizado ao chão que piso. Virou-se, neste pôr-de-sol brilhante e segui-lhe os passos - até o andar, até o passeio que faz ao mundo - e ao longe, na minúcia de uma miragem pronta a desaparecer, relancei o meu passo e não mais me esqueci.

2 Comentário(s):

Violeta disse...

encantou-te ela...

gostei...

muito bem caracterizado.. e pormenorizado...

beijo

S . disse...

Ai rapariga... rapariga...

está lindo *