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30 Maio 2009

São coisas que saem

Não tenho noção do que sou,
a ínfima parte do que construí,
Sou da terra que me criou,
Vim de longe para aqui.

Escavo sonhos, sem unhas nas mãos,
onde não deixo marcas literais,
E fico na sombra das estrelas,
E tudo fazia sentido diferenciais

E quem se atrevera, de olhar malicioso,
virar com a cabeça o mundo do avesso,
Sentado na ombreira, clareando,
Um chilrear bicudo dos ponteiros, sem retrocesso.

Um nervosismo inquietante,
suga-me a alma de encontro ao pensamento,
E o tempo que não corre, e o tempo que não anda e o tempo que não rasteja,
É tempo perdido aqui estando, sussurrando-me em estremecimento.

Encolho-me, e chego perto,
do teu ouvido latejante,
E que docemente levantas a cabeça,
E sorrio descansado, apraz pelo teu feliz semblante.

6 Comentário(s):

Paladar disse...

e que bem que as coisas saem :)

Ana Ribeiro disse...

gostei... e dedicado a quem?

Bjos

Violeta disse...

«Um nervosismo inquietante,
suga-me a alma de encontro ao pensamento,» gostei particularmente desta frase....

beijo grande...

amt

S . disse...

Se eu me atrever a dizer que adoras Pessoa, erro? (x

cheirou-me "a"! (:

beijinhos,
gostei muito, para variar *

Vanessa. disse...

Isso é dedicado a alguém :P
Adorei, aliás, como adoro sempre as tuas palavras!

Pêjotinha' disse...

"Escavo sonhos, sem unhas nas mãos,
onde não deixo marcas literais,
E fico na sombra das estrelas,
E tudo fazia sentido diferenciais"

*.* encantador. Este desassossego de estar sem rumo encanta-me :$

E a S. tem razão: cheira a um neo-Pessoa.

Tornas-te um encanto david. :)