Não tenho noção do que sou,
a ínfima parte do que construí,
Sou da terra que me criou,
Vim de longe para aqui.
Escavo sonhos, sem unhas nas mãos,
onde não deixo marcas literais,
E fico na sombra das estrelas,
E tudo fazia sentido diferenciais
E quem se atrevera, de olhar malicioso,
virar com a cabeça o mundo do avesso,
Sentado na ombreira, clareando,
Um chilrear bicudo dos ponteiros, sem retrocesso.
Um nervosismo inquietante,
suga-me a alma de encontro ao pensamento,
E o tempo que não corre, e o tempo que não anda e o tempo que não rasteja,
É tempo perdido aqui estando, sussurrando-me em estremecimento.
Encolho-me, e chego perto,
do teu ouvido latejante,
E que docemente levantas a cabeça,
E sorrio descansado, apraz pelo teu feliz semblante.
6 Comentário(s):
e que bem que as coisas saem :)
gostei... e dedicado a quem?
Bjos
«Um nervosismo inquietante,
suga-me a alma de encontro ao pensamento,» gostei particularmente desta frase....
beijo grande...
amt
Se eu me atrever a dizer que adoras Pessoa, erro? (x
cheirou-me "a"! (:
beijinhos,
gostei muito, para variar *
Isso é dedicado a alguém :P
Adorei, aliás, como adoro sempre as tuas palavras!
"Escavo sonhos, sem unhas nas mãos,
onde não deixo marcas literais,
E fico na sombra das estrelas,
E tudo fazia sentido diferenciais"
*.* encantador. Este desassossego de estar sem rumo encanta-me :$
E a S. tem razão: cheira a um neo-Pessoa.
Tornas-te um encanto david. :)
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