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26 Maio 2009

Insipiência

O passado não devia dizer-me nada agora. Não devia compensar os buracos que vou deixando neste chão de amarelos e laranjas insípidos, deste "sem nada" desconfortante, que de resto me fazia dias a fio caminhar em movimentos reflectidos, de encontro à parede retornando noutra qualquer direcção. Sou uma máquina do sistema que se esqueceu de inventar as coisas mais simples, e que retirou e pior ainda, reiterou essa maneira de ser de maneira tão soberba quanto absurda de se ouvir. Aqui estou não é? Creio que a maior prisão na vida é aquela onde se ensina tudo menos as boas maneiras, e nos prende a coisas em que nem a penitência por favor a sustenta. E viesse de lá um exército de boas razões para que depois eu me pudesse sentar e aceitá-las com mestria e sem nenhuma vergonha. Vergonha é o que falta para tanta coisa que nunca devia ter acontecido neste Mundo e olhem que ninguém repara nisso. O sol hoje estava vivo demais não estava? Sentiu-o desesperado, descompensado e fechado algures nas órbitas planetárias. E de pensar que um dia de rotina me faz pensar e desgraçar a paciência que existe, imaginar-me solarengo a fazer o mesmo milhões e milhões de anos, porque inválido nunca foi, mas já se pensou alguma vez que: se o sol se reformar, todos nos reformamos?

1 Comentário(s):

Vanessa. disse...

Como disseste, e bem: se o sol se reformar, todos nos reformamos. Ai David, escreves cada coisa mais bonita... Dá um imenso gosto espreitar este teu espacinho... Delicio-me com cada palavrinha tua!