Nas vagas ondas que ia rebentando, em todas elas havia uma prece para contar. Parecia contextual a minha presença e arriscava-me até a dizer que era necessário estar ali para as ouvir. Certamente tinham os seus desabafos – eu também os tinha. E era tão simples a capacidade de emanar nas suas entranhas uma calma aparente, uma paz de espírito que me permitia ter margem de manobra para encontrar resposta para tudo, gesticular com o vento e imaginar-me noutras virtudes que o futuro havia de me mostrar. Sou um amante da vida que facilmente me apaixonei. Não resisti ao seu encanto e bem lá no fundo, mesmo sabendo que nem sempre a vi desta maneira, sei bem que tinha tanto para dar...e para mostrar. Bem espero nessas paragens que se fazem não me arrepender do tempo que fui, e não ter a mea culpa por coisas tão impróprias, e se calhar tão aberrantes, que não as possa demover da minha (por vezes) consciência vazia. Por isso navego nas tonterias da minha cabeça e vou sorrindo como um perdido, talvez porque nos falta montar o circo psicológico e rir das palhaçadas que vamos revivendo em cada esquina que pousamos os pés. Não há regras sem excepções e não há maré que cheia, não vaze.
3 Comentário(s):
Exatamente...depois de tanto gritar...depois de esvaziar a gente entra numa outra era...rsrs..mas nada é vazio...Bjs querido!
"Por isso navego nas tonterias da minha cabeça e vou sorrindo como um perdido, talvez porque nos falta montar o circo psicológico e rir das palhaçadas que vamos revivendo em cada esquina que pousamos os pés."
Como gostei desta passagem, sempre que a volto a ler lembro-me da forma, não diria parva mas sim, cómica de como me rio.
Quem me dera viver assim, feliz.
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